We aRe AlL Mad hERe
Sexta-feira, Outubro 31, 2003


The Kiss


"...There is nothing special about me.
I am a painter who paints day after day from morning until night.
Figures and landscapes, portraits less often.
...Whoever wants to know something about me
--as an artist, the only notable thing--
ought to look carefully at my pictures
and try and see in them what I am and what I want to do."

Gustav Klimt



Danae

Arranhado por Cheshire às 01:28
Miados:

Quinta-feira, Outubro 30, 2003

Andei passeando esses dias, passeando por pensamentos, histórias, diferentes vidas, visões de mundo. Passei por risadas, tristezas, emoções, poesia, arte. Por beleza e feiúra, pelo erótico e pelo irônico, eu andei descobrindo esse mundo um tanto quanto novo para mim, que é o mundo dos blogs.

Eu não imaginava quantas formas e cores existiam nesse mundo, as vezes dá até tontura, parece até aquela música dos Paralamas do Sucesso: " provei tantas coisas que te deixariam tonta..."

Fiquei adimirada de tanta coisa boa que achei, tantos textos interessantes, bem construídos, tantas ideias divertidas que me fizeram rolar de rir sozinha na frente do micro. Claro que tem muita coisa ruim por ai, sem o menor cuidado ou criatividade, mas eu encontrei muito mais coisas interessantes do que esperava. Me surpreendi com a variedade de tipos de pessoas que se dispõe a gastar um tempo para expressar suas idéias, homens, mulheres, velhos e jovens, cada um com uma visão bem particular da vida.

Mas ao mesmo tempo a gente vê como os seres humanos são parecidos, as vezes parece que tudo que você pode pensar já foi pensado e escrito, dá até um pouco de vergonha, "e agora que é que eu vou fazer?" E como às vezes basta passear um pouco por ai pra perceber que não se é tão estranho ou diferente assim, que não se esta sozinho. Que o mundo está definitivamente cheio de malucos zanzando por ai, e ainda bem que é assim, ou seria um lugar muito chato de se viver.

Existe um senso de comunidade em tudo isso, talvez até um senso de comunhão. Mas também chega a parecer, às vezes, que todos estão falando sozinhos, ao mesmo tempo, cada um querendo dizer: "veja eu estrou aqui, eu existo." Cada um berrando a sua vida.

Mas afinal somos todos loucos, não somos? E como bons loucos gritamos palavras ao vento. Talez, algum dia, elas cheguem em algum lugar...

Arranhado por Cheshire às 22:56
Miados:

Quarta-feira, Outubro 29, 2003

Às vezes em momentos de surto eu me revolto contra todos os seres do sexo masculino, chego a conclusão que não dá mais, que desisto de tentar me relacionar com eles. Os homens adoram sair por aí dizendo que é impossível compreender as mulheres, devo confessar que também acho bem complicado, mas eles também não são faceis. Especialmente quando dizem: "ah, mas a gente é tão simples.."

Aí eu chego a conclusão que me restam três opções... E quando eu mencionei essas opções um amigo meu rapidamente respondeu: "Posso votar! Posso votar!". Então em favor da democracia, fiz uma pesquisa (absolutamente cientifica, é claro!) e obtive respostas interessantes...

Opção número 1: Virar puta.
Essa resposta foi a escolhida por aqueles que pensam de modo capitalista, se você fai se foder de qualquer maneira pelo menos ganhe dinheiro com isso.

Opção Número 2: Virar lésbica.
Essa foi de longe a mais votada, obviamente porque 11 em cada 10 homens tem a fantasia de ver duas mulheres juntas.

Opção número 3: Virar freira.
Incrivelmente nenhum dos homens entrevistados escolheu essa opção, ou deu uma justificativa para que fosse escolhida. Tenho certeza que se eu perguntasse para o Papa ele ia achar essa a melhor idéia de todas, mas como ele não fez parte da amostra estatistica...

Alguém tem alguma sugestão?

Arranhado por Cheshire às 21:35
Miados:

Domingo, Outubro 26, 2003

Não sei por que, mas eu tenho andado um tanto quanto saudosista esses dias... O tempo, os dias parecem ter alguma qualidade que me faz lembrar de dias que já se passaram, de outras épocas da minha vida. A temperatura, o cheiro, a cor, o mudo parece adquirir uma luminosidade específica que remetem a um tempo passado da minha vida, mais especificamente ao começo da minha adolescência.

Uma época incrivelmente intensa,cheia de descobertas, sensações, experiências e quando as possibilidades pareciam infinitas. Todas as escolhas eram possíveis, todo o mundo era experimentável, novo, desconhecido, tudo poderia ser conquistado.

Foi nessa época que eu conheci esse último poema do Fernando Pessoa/Álvaro de Campos que eu coloquei. Tinha um amigo meu que adorava Fernando Pessoa e sabia varios poemas de cor, inclusive esse, e às vezes quando ele estava sem grana ele ia pelos bares recitando as poesias nas mesas por trocados, até que ele conseguia uma boa grana pra tomar mais cerveja... Era muito engraçado, e tinha uma sensação de liberdade incrível...

A gente andava pela noite, ia de um lugar para o outro sem muito compromisso, tem dias como hoje em que eu sinto falta disso, me bate uma saudade. Me bate uma saudade da época em que beijar era uma novidade, que cada beijo significava tanto, era tão completo em si mesmo, as coisas pareciam mais simples...

Hoje esse amigo meu já fez faculdade, já se formou, já morou na França, esta casado e até tem um cachorro de estimação, encontro com ele de vez em quando por ai, e não sei se ele ainda recita poemas pelos bares...

Arranhado por Cheshire às 23:01
Miados:

Sexta-feira, Outubro 24, 2003

Mais um poema do Álvaro de Campos...
Esse é o meu favorito.

Lisbon Revisited (1923)

NÃO: Não quero nada.
Já disse que não quero nada.
Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.

Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!

Tirem-me daqui a metafísica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) -
Das ciências, das artes, da civilização moderna!

Que mal fiz eu aos deuses todos?

Se têm a verdade, guardem-na!

Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?

Não me macem, por amor de Deus!

Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?

Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja da companhia!

Ó céu azul -o mesmo da minha infância-
Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflete!
Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.

Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo...
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!

Arranhado por Cheshire às 02:09
Miados:

Quinta-feira, Outubro 23, 2003

Esse mundo é muito estranho... Jura?!! Ninguém tinha percebido isso ainda (Não esqueça do tom cínico).

Primeiro algum maluco resolve que vai mudar o horário, agora tem "hora de verdade" e "hora de mentira", a gente leva um tempão pra se acostumar, quando já está funcionando legalzinho, muda o horário de novo... e nessa meu relógio interno, que ja não é lá nada suiço, vai ficando cada vez mais pirado.

Eu sou uma pessoa absolutamente noturna, detesto acordar cedo, meu cérebro só costuma acordar depois do meio dia, acho absolutamente improvável a felicidade antes das dez da manhã, a não ser que você esteja indo dormir e não acordando. E ainda tem algum ser, que deve ser matutino, aposto, que vem e me faz acordar uma hora mais cedo ainda. Tá, tudo bem, depois quando voltar ao normal eu vou acordar uma hora mais tarde, mas era a maldita hora que eu já tinha que acordar antes! Você fica aliviada porque tirou o sapato apertado, mas não seria melhor ter usado um mais confortável?

Desculpem o momento mal-humorado, alias, desculpa nada, tô de mau-humor mesmo, pega eu!

Mas é que pra completar ainda inventei de ficar com uma puta gripe essa semana, pra poder aproveitar bem os dias quentes, e nem tenho um namorado gatinho pra me trazer chá na cama nos dias frios ou poder fazer manha. Fico eu, meus montes de lenços, vitaminas, remédio pra garganta, pra desentupir o nariz, pra dor de cabeça, pra febre e toda aquela parafernália que se torna absolutamente essencial quando esses malditos vírus atacam a gente.

Aliás, uma coisa que até hoje eu to tentando descobrir direito é a maldita diferença entre gripe e resfriado, provavelmente isso é uma daquelas coisas que quase ninguém se interessa em saber, mas eu acho crucial, febre as vezes tem esse efeito de proporcionar ideias malucas, mas eu realmente gostaria de xingar corretamente o responsável pelo meu atual estado deplorável.

E ainda tenho uma prova amanhã, ou melhor hoje...

Arranhado por Cheshire às 02:23
Miados:

Domingo, Outubro 19, 2003



Eclipse da Lua

Arranhado por Cheshire às 23:29
Miados:

Sábado, Outubro 18, 2003

Mais Álvaro de Campos.

Todas as Cartas de Amor são Ridículas

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

Arranhado por Cheshire às 01:42
Miados:


É a idéia geral que amar e ser amado são características inatas do ser humano. O saber comum diz que todos nós nascemos já prontos para o amor.

Eu ando pensando que não é bem assim, acho que nascemos com a possibilidade de amor, mas que tanto amar quanto ser amado parecem ser capacidades aprendidas no decorrer da vida. Aí você pode dizer: "Tá, tudo bem, posso até acreditar que aprendemos a amar, mas aprender a ser amado? Não, são os outros que amam a gente." Sim, são os outros que nos amam, mas eles só podem fazê-lo se deixarmos, é preciso se deixar ser amado.

Você deve aprender quando e a quem amar, quando e quem deixar de amar. E se parar pra pensar ainda vai ver que existem muitas maneiras diferentes de amar, muitos amores distintos, qual deles é o seu? Será que esse jeito que a gente ama, e também o jeito que demonstra não foi aprendido? Não foi vendo como as pessoas a sua volta faziam? E preste bem atenção e você vai perceber que o seu jeito de amar mudou com a idade, com a experiência. Que cada vez que você amou foi diferente, não só por que era uma pessoa diferente, mas também por que você estava diferente, por que aprendeu algo com o seu amor anterior. Acho que é inclusive possível amar a mesma pessoa de diversas maneiras.

Ser amado pode parecer mais simples, mas acho que pode ser mais dificil de aprender, até pela sutileza com que experimentamos ser o destino do amor de alguém. Para ser amado é necessário aceitar o sentimento do outro, deixar que ele entre, aconchegar esse sentimento, é preciso deixar-se sentir. Para ser amado você precisa aprender a distinguir quem te ama de quem não ama, discriminar os diferentes tipos de amor, mas não temê-los. Sentir o amor de alguém por você é um grande presente, mas se não estiver pronto para percebê-lo nada vai adiantar.

Arranhado por Cheshire às 01:41
Miados:

Quinta-feira, Outubro 16, 2003

POEMA EM LINHA RETA
Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...


Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

Álvaro de Campos, heterônimo de Fernando Pessoa

Arranhado por Cheshire às 14:14
Miados:

Quarta-feira, Outubro 15, 2003

você sabe que esta ficando velho quando...
Não, essa não é mais uma daquela lista de coisas que todo mundo recebe de vez em quando no e-mail que só quem foi adolescente nos anos 80 ou antes lembra, e tembém só tem um pouco a ver com o fato de que meu aniversário é mês que vem. É que de vez em quando a gente para um pouco e aí percebe a passagem do tempo, as vezes é perceber que vc conhece um amigo já faz mais de dez anos, as vezes é quando você encontra aquele irmão mais novo da sua amiga que era um criança e agora já esta na faculdade...

No meu caso foi perceber como eu já não tenho mais paciência pra um monte de coisas, como meu grau de exigência para as coisas está aumentando. Acho que é isso que acaba desencadeando naquelas coisas que a gente chama de manias de velho, acho que com o passar do tempo, ou pelo menos deveria ser assim, a zona de conforto das pessoas vai se estreitando, e você fica cheio de manias como o jornal deve estar dobrado de certa forma, ou você precisa de três travesseiros pra dormir, e não come um monte de comidas por que te deixam com azia, ou gases ou qualquer outro motivo.

Eu não tenho mais pique de ficar seis horas debaixo de chuva pra ver um show, ou então pegar uma fila enorme pra entrar numa balada, pagar caro e ser mal tratada, bom na verdade pra isso eu nunca tive saco, mas até que eu tentei acompanhar o pessoal, hoje eu já aviso que nem adianta me convidar pra coisas do tipo danceteria da moda. Só entro em boite gay e olhe lá... Eu não tenho mais paciência de ficar tomando cerveja de pé num lugar lotado, música alta que não dá pra conversar me incomoda profundamante, especialmente se for ao vivo e desafinada.

Da mesma forma eu não aguento mais discussão filosófica sem sentido e sem base, já não aceito muitas das manias das pessoas, não que elas não tenham o direito de tê-las, mas eu também tenho o direito de não gostar e de escolher com quem me relacionar. Acho que é isso que significa envelhecer, ficar mais seletivo com as suas companhias, você ja experimentou várias coisas, descobriu o que gosta e o que não gosta, e chegou a conclusão que se não for estritamente necessário não precisa aturar o que não gosta.

Acho que com a idade você aprende que tem o direito de não gostar de tudo nem de todos, não tem que aceitar todos como eles são, eu não aceito gente machista, racista, babacas em geral, caras que acham que são o presente de Deus para as mulheres ou mulheres frescas e sem cérebro. O cara pode ser muito gatinho, mas veio falar comigo e falou ou fez alguma coisa que eu não gostei, pode esquecer, já broxei.

Ai, assim vai ficar cada vez mais dificil achar um namorado...

Arranhado por Cheshire às 21:27
Miados:


Acquainted with the Night

I have been one acquainted with the night.
I have walked out in rain -and back in rain.
I have outwalked the furthest city light.

I have looked down the saddest city lane.
I have passed by the watchman on his beat
And dropped my eyes, unwilling to explain.

I have stood still and stopped the sound of feet
When far away an interrupted cry
Came over houses from another street,

But not to call me back or say good-by;
And further still at an unearthly height
One luminary clock against the sky

Proclaimed the time was neither wrong nor right.
I have been one acquainted with the night.

Robert Frost

Arranhado por Cheshire às 20:24
Miados:

Terça-feira, Outubro 14, 2003

"Você é responsável por aquilo que cativa."
Está frase do Pequeno Principe pode parecer brega, mas eu acho que um dos grandes problemas nos relacionamentos hoje em dia é que as pessoas não assumem essa responsabilidade, esse cuidado com o sentimento alheio. Não assumem que são responsáveis pelos sentimentos que despertaram, como se eles fossem apenas um brinde daqueles bem vagabundos e não um presente caro...

Arranhado por Cheshire às 16:23
Miados:

Segunda-feira, Outubro 13, 2003

Talvez a grande questão feminina seja sentir-se lesada depois do sexo. por isso a grande angústia de se ela vai ligar ou não. Ela não fez sexo no momento, fez pra garantir o depois, isto é, deixou pôr mas não deu. E aí, além de sair insatisfeita após a transa ainda fica uma semana se martirizando no por quê ele não ligou. Mas e daí se ele não ligou? Sexo é um favor que deveria ser retribuído?

Transou por livre e espontânea vontade? Sabendo em que pé as coisas estavam? Não dá pra tranformar um transa qualquer em relação, a coisa pode até se desenvolver, mas não dá pra exigir do cara um vínculo que nem você mesma tinha. Se estamos falando de igualdade porque simplesmente não pensar "eu tbm não liguei" ou então simplesmente ligar? Se você está na onda da mulher moderna então banque meu bem! Bancar a descolada e depois ficar sofrendo não leva a nada.

Então a idéia é se preservar? Presenvar do que? E melhor ainda, pra que? Manter a imagem de mulher comportada e adequada? A idéia é fazer o que e como vc quizer e lidar com as consequências, sejam elas voltar pra casa sozinha, ou transar com um bonitinho e ele não te ligar. Se você aproveitou tanto quanto ele qual o problema? Você sabia onde estava se metendo quando aceitou aquele convite pra esticar a noite, então assuma isso e divirta-se.
Baseado no texto de Patricia Rabaça.

Arranhado por Cheshire às 17:59
Miados:

Domingo, Outubro 12, 2003

"Era um carvalho, enobrecido por mais de cem anos, uma enorme trepadeira grudara-se a essa sólida arvore e quase a sufocara. Era dificil dizer onde a árvore terminava e a trepadeira começava. Esta enrolara-se tão completamente em torno da estrutura dos galhos da árvore que suas folhas à distância pareciam ser as folhas da árvore. Só bem de perto se podia ver como haviam sobrado poucos ramos vivos, e quão poucos e desesperados gravetos brotavam do carvalho, espetando-se como uma fileira de polegares do tronco maciço, suas folhas continuando o processo de fotossíntese ao modo ignorante da biologia mecânica.

Minha depressão crescera sobre mim como aquela trepadeira que dominava o carvalho. Fora uma coisa sugadora que se embrulhara à minha volta, feia e mais viva do que eu.Com vida própria pouco a pouco asfixiara toda a minha vida. No pior estagio de uma grande depressão, eu tinha estados de espírito que não reconhecia como meus; pertenciam à depressão, tão certamente quanto as folhas naqueles altos ramos da árvore pertenciam à trepadeira. Ela continuava a empanturrar-se de mim quando ja parecia não ter sobrado nada pra alimentá-la.

Eu não era forte o suficiente para parar de respirar. Sabia que jamais poderia matar a trepadeira da depressão. Assim tudo que eu almejava é que ela me deixasse morrer. Mas ela se apoderara de toda a minha energia, ela não me mataria. Se meu tronco estava apodrecendo, essa coisa que se alimentava dele estava agora forte demais para deixá-lo cair. Ela tornará-se um apoio alternativo para o que destruíra.

Você perde a capacidade de confiar nas pessoas, de ser tocado, de sofrer. Posteriormente, ausenta-se de si mesmo.

A terapia de drogas desbasta à foice as trepadeiras. Você sente quando isso acontece, como a medicação parece estar envenenando a parasita, de modo que pouco a pouco ela murcha e cai. Você sente o peso desaparecendo, sente como os galhos podem recuperar boa parte da curvatura normal. Até se ver livre da trepadeira você não consegue pensar no que foi perdido. Mas mesmo depois que ela desaparece, é possivel que lhe sobrem algumas poucas folhas e raízes frágeis, e a recontrução do seu eu não pode ser realizada com nenhuma droga existente. Sem o peso da trepadeira, pequenas folhas espalhadas ao longo do esqueleto da árvore tornam-se capazes de prover nutrição essencial. Mas não é bom existir assim. Não se é forte dessa maneira. A reconstução do eu numa depressão e depois dela exige amor, insight, trabalho e, mais do que tudo, tempo."

Adaptado de Andrew Solomon, O Demônio do Meio-Dia.

O carvalho nunca volta a ser o mesmo, restam cicatrizes, marcas, e ele cresce em uma nova forma e direção.

Para Yasmin.

Arranhado por Cheshire às 19:05
Miados:

Sábado, Outubro 11, 2003

Hoje choveu...
Choveu como há muito tempo não chovia, aquela chuva mole que parece que não tem hora pra acabar, que não tem pressa de cair. Como eu senti falta desses dias, antes costumavam durar semanas, a gente sentia como se a umidade se impregnasse em tudo, como se estivessemos embolorados, mas essa chuva faz falta, ela limpa tudo, parece que as coisas voltam a ter cor, ela lava aquela camada de poeira que tinha se acumulado sobre tudo, sem que a gente nem percebesse. A cidade parece silenciosa, como se os sons tivessem parado pra ouvir a chuva cair, e o cheiro? Como eu tinha saudades do cheiro de chuva, do cheiro de terra molhada, parece que finalmente eu posso respirar de novo. A chuva faz o mundo voltar a ser real, com cores, cheiros e sons, ao invez de apenas algo desbotado. As ruas brilham, até o asfalto não parece tão árido com as luzes refletindo na água que escorre, parece ganhar vida.

Eu fico meio melancólica em dias assim, sabe? Eu Sinto saudades das noites em que eu andava por ruas calmas, cheias de árvores, sem me importar com a chuva que caia, sem me importar em ficar molhada, aproveitando de todos os sentidos aguçados pela água.

Faz muito tempo eu tive um sonho, eu sonhei que eu corria pela rua escura, pisando nas poças, a chuva escorria pelo meu corpo e cada gota lavava um pecado, uma dor, uma tristeza embora, eu ia ficando limpa, leve, e corria sem destino. A água que escorria me dava sentido, me fazia inteira e completa, ela me ligava ao resto do mundo, fazia com que eu deixasse de ser uma peça torta e mal encaixada pra me tornar algo integrado. Eu me sentia real, o mundo era real com uma força que raramente a gente percebe. A água que escorria pela minha pele parecia acordá-la para um mundo de sensações, meu corpo fazia sentido, minha pele antes dormente recebia todos os toques da água, eu estava viva... As lágrimas se misturavam com a chuva e iam juntar-se ao resto das coisas, fazia meu corpo formigar inteiro com sensações vivas e fortes, com prazer e felicidade puros. E eu corria...

Arranhado por Cheshire às 19:29
Miados:


`Would you tell me, please, which way I ought to go from here?'

`That depends a good deal on where you want to get to,' said the Cat.

`I don't much care where--' said Alice.

`Then it doesn't matter which way you go,' said the Cat.

`--so long as I get SOMEWHERE,' Alice added as an explanation.

`Oh, you're sure to do that,' said the Cat, `if you only walk long enough.'

Lewis Carrol

Arranhado por Cheshire às 05:20
Miados:



eclipse solar

Arranhado por Cheshire às 03:58
Miados: