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Sábado, Novembro 29, 2003
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Pois é...
Arranhado por Cheshire às 20:03
Miados:
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Quinta-feira, Novembro 27, 2003
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Tempo pra sonhar com criaturas mágicas.
Criaturas marinhas, aéreas e etéreas.
Tempo de simplesmente experimentar.
Arranhado por Cheshire às 02:25
Miados:
Sea Serpents III de Gustav Klimt
Arranhado por Cheshire às 02:01
Miados:
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Quarta-feira, Novembro 26, 2003
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Esse é um texto que eu coloquei como comentário no blog da Mônica, mas acabei gostando tanto que resolvi colocar aqui também (metida, não?).
Quando eu comecei a escrever um blog fiquei pensando que eu tinha duas opções: escrever tudo aquilo que eu queria e não contar para ninguém que tinha um blog. Ou contar para as pessoas e ter de me controlar com o que, e como, eu escrevo. Como obviamente não consegui guardar segredo, tenho que tomar muito cuidado com o que escrevo, tem coisas que não é pra todo mundo que te conhece saber mesmo.
Mas eu descobri que essa limitação tem um lado interessante, ela me obriga a cuidar melhor dos textos, eles ganham em qualidade literária (eu acredito, pelo menos) Perdem a qualidade de retratarem apenas um evento específico da minha vida, pra adiquirirem um caráter de reflexão mais ampla.
Não dá pra sair por ai dando nome endereço e telefone dos amigos, tem que ter cuidado pra não me expor e também não expor as pessoas de quem eu gosto. Mas certamente é uma linha muito tênue entre ser cuidadoso e perder a capacidade de expressar-se.
Os blogeiros acabam sendo equilibristas de emoções, na corda bamba com bolas no ar.
Arranhado por Cheshire às 17:28
Miados:
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Segunda-feira, Novembro 24, 2003
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Tem dias na vida da gente que nada parece dar certo...
Odeio Segundas-Feiras!
Arranhado por Cheshire às 18:30
Miados:
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Sexta-feira, Novembro 21, 2003
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Esses dias uma amigo meu me mandou o link de um enquete do Estadão sobre quais os seus briquedos favoritos, adorei ficar lendo e ver as pessoas contando de experiências e lembranças tão gostosas. Mas pensando bem, percebi que os meus brinquedos prediletos eram o conjunto de química e o microscópio... Vixe, isso quer dizer que desde pequena eu já tinha vocação pra nerd, quer dizer que não tinha jeito mesmo.
Bom, é bem verdade que eu sempre fui incrivelmente curiosa, beirando a chatice de tanta curiosidade, e sempre adorei a idéia de ser uma cientista maluca.
O mais esquisito de tudo, é que eu adoro ser estranha, adoro as minhas nerdices. Eu nunca fui "cool" ou popular, nunca me encaixei em nenhuma tribo, nem mesmo a dos alternativos.
Adoro ler, mas não tenho muito saco pra papos de semiótica ou muita filosofia. Adoro cinema, mas não sei tudo sobre os filmes de arte, não corro pra ver o lançamento do novo filme iraniano, nem pro de Star Wars.
Eu cansei de tentar correr atrás de ficar por dentro dos últimos lançamentos obscuros do mundo da música alternativa, ou de saber tudo o que acontece no mundo. Podem me chamar de alienada, mas desisti de ler jornais há algum tempo já, se acontece algo de realmente importante eu vou ficar sabendo de um jeito ou de outro, não preciso ser a primeira a saber.
Eu jogo RPG, joguinhos de computador, adoro Star Treck e tenho um blog, Tem maior atestado de nerdice? Mas ao mesmo tempo, eu não participo de convensões e encontros, não tenho vergonha de ser nerd ou geek, como preferem alguns, mas também não tenho saco, nem acho que seja uma informação relevante, saber qual a cor da cueca do William Shatner no episódio XPTO de Jornada nas Estrelas.
Sempre adorei sair, beber cerveja, bater papo com os amigos. Adoro beijar. Mas não sei quais são as baladas mais quentes, ou mais undergrounds de São Paulo, não gosto de lugares lotados, onde não da nem pra respirar, detesto qualquer coisa que fique perto da Vila Olimpia, Nova Faria Lima, etc. Mas me divirto saindo pra dançar, ou indo num boteco de esquina da Vila Madalena.
Sempre tive muitos amigos ripongos (eram os que melhor aceitavam minhas estranhezas) e frequentávamos o Sujinho e adjacências, mas eles ainda me achavam meio patricinha com meu brincos de argola dourados. E eu nem achava que o comunismo de Cuba era a melhor coisa do mundo, nunca nem cogitei ir pra lá trabalhar em alguma plantação. Nem tenho, nem nunca pensei em ter, cabelo azul e um piercing na língua, sobrancelha, nariz, ou qualquer outro lugar. Só fui furar a orelha com uns 17 anos.
Gosto de viajar, mas o destino dos meus sonhos não é nem Miami, nem Trindade. Não penso em ir para um resort, mas também preciso de um minimo de conforto, não rola fazer camping selvagem. Não tenho idéia de quais sejam os melhores hoteis do mundo, ou as praias mais escondidas...
Ai eu paro, olho a minha volta, e vejo que estou, numa sexta-feira a noite, sozinha no laboratório onde trabalho escrevendo no blog, quando eu obviamente deveria estar trabalhando, não dava pra ser mais nerd. Olho pra parede onde tem um poster do cientista maluco môr, Einstein, e ele olha de volta pra mim, com os olhos esbugalhados, o indefectível cabelo completamente despenteado, sorri e diz: "Imagination is more important than knowledge".
Arranhado por Cheshire às 17:50
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Quinta-feira, Novembro 20, 2003
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Essa sou eu.
Arranhado por Cheshire às 02:12
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Quarta-feira, Novembro 19, 2003
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Baseado em Fatos (quase) Reais
Dois amigos estão em um bar conversando despreocupadamente e observando a fauna que os cerca. O garçom, com leves trejeitos gays se aproxima:
- Boa noite, vcs vão querer algo pra beber?
-Uma soda com gelo e limão.
-Eu quero um uisque sem gelo e uma coca light com gelo e limão.
-Pois não.
E o garçom se retira com seu leve rebolado. Algum tempo depois ele volta com a soda, o uisque em um copo alto e a coca. Ele serve a soda, abre a coca e vai despejar o seu conteúdo marrom dentro do copo com o precioso uisque 18 anos, quando é bruscamente interrompido.
-Não! O que você vai fazer?
-Não é pra misturar?
-Não, se não estraga o uisque, a coca é só pra dar uma hidratada.
-Ai, desculpa, eu não sabia... Bem que eu achei estranho mesmo... Mas sabe como é, né? O cliente tem sempre razão...
-Tudo bem, mas eu queria um copo com gelo e limão para a coca...
-Claro, desculpa mesmo, eu ja vou buscar e volto bem rapidinho, me desculpa...
Ele se afasta, com o rebolado visivelmente consternado, levando inclusive o copo de uisque, como se tivesse se esquecido dele em sua mão, tamanha vergonha. Sumiu tão rápido em direção ao bar que nem houve tempo hábil de pedir que deixasse o uisque.
Passado algum tempo ele volta, já com o rebolar sob controle e bastante sorridente. Trás o uisque devidamante e cuidadosamente derramado em um copo apropriado e um copo alto generosamante recheado de gelo e duas rodelas de limão.
-Desculpa mesmo o mal jeito, às vezes eu fico tão atrapalhado, não sei onde eu tava com a cabeça quando achei que alguém ia misturar coca light no uisque...
-Tudo bem, não tem problema. Eu sei que é um pedido meio diferente mesmo.
O garçom abre um sorriso de satisfação mostranto os dentes branquíssimos e perfeitamente alinhados. Ele se afasta da mesa, passando habilmente por entre as pessoas em pé, levando um rebolar altivo. De tempos em tempos ele se aproxima da mesa, cerificando-se de que está ttudo em ordem, mostra-se bastante solicito e lança sorrisos para o dono do uisque sempre que pode, este procura bebericar do seu copo, e de algum modo esconder-se atrás dele, já mostrando algum constrangimento, enquanto o amigo se diverte com aquela situação toda.
O tempo passa, a casa enche e o garçom agora está ocupado demais pra prestar atenção neles, a conversa flui, eles observam as mulheres que passam e se divertem. Algum tempo depois resolvem fazer um novo pedido e eis que surge o garçom novamente absolutamente sorridente.
-Pois não?
-Eu vou querer uma cerveja e um cheeseburger.
-Eu queria outro uisque sem gelo e uma porção de fritas.
-Claro! Eu já trago rapidinho e bem caprichado, pode deixar.
Ele some novamente e volta algum tempo depois equilibrando os pedidos em uma bandeija.
-Pronto, cerveja e cheeseburguer, uisque e fritas
-Obrigado.
Ele se vira pra sair mas para no meio do movimento.
-Ai, desculpa a intromissão, mas eu não aguento: você é argentino?
-Não sou brasileiro mesmo.
-Não é nem de familia argentina?
-Não, mas por que a pergunta?
-Não acredito, desculpa mesmo, mas é que eu fiquei pensando e dizem que argentinos e que tomam coca com uisque, ai achei que você devia ser... Não é mesmo tem certeza?
-Não, não sou, pode ter certeza disso.
-Eu achei tanto...
-Tá complicado assim, primeiro você acha que eu misturo coca cola com uisque, depois que eu sou argentino, só faltava agora você me perguntar se eu sou gay...
O garçom se vira, visivelmente frustrado e sem graça...
-Droga! Não dou uma dentro hoje...
Arranhado por Cheshire às 23:46
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Segunda-feira, Novembro 17, 2003
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Quem andou lendo os textos desse blog deve ter percebido que o clima tem uma grande influência sobre mim, que meu humor varia com as alterações climáticas (morando em São Paulo isso significa uma instabilidade de humor incrível...). O que acontece é que pra quem morou a vida inteira no mato, as qualidades do dia, o calor, o vento, o sol, a chuva, o frio, fazem uma parte bastante significativa da sua percepção. É como se de alguma forma maluca você fosse ligada diretamente com a terra, com o tempo.
A coisa toda começou quando meus pais resolveram mudar pra um canto obscuro da Grande São Paulo, tanto por opção, quanto por grana, a gente acabou indo morar num condomínio onde éramos os únicos moradores e que ficava num pedaço de Mata Atlântica, perdido no meio do nada. Pra quem não sabe, antes a mata se extendia até quase o interior do estado, mas atuamente só sobraram alguns bolsões de floresta perdidos pelos cantos, e tanto a vegetação quanto os animais já não têm a mesma riqueza de antes.
O resultado disso é que eu cresci solta, andando no meio da mata, passeando no riacho, explorando as plantas e lagos do lugar. Eu adorava brincar na chuva, ia para a rua só de calcinha e ficava fazendo represas para a água que escorria, tomar banho de chuva é uma das melhores coisas que alguém pode fazer, aproveitar aquela chuva de fim de tarde de verão, com pingos grossos e mornos.
Eu subia em árvores, ralava os joelhos, escorregava pelos barrancos, entrava em todas as construções novas que apareciam. Eu cuidei de passarinhos que cairam do ninho, brigava com os cachorros pra que eles não matassem os gambás que vinham comer frutas nas nossas árvores. Vi partos de coelhos, gatos, cachorros, adotei animais abandonados. Tinha um lagarto teiú que morava atrás do nosso quintal, a gente levava restos de frutas todos os dias pra ele. Uma vez um cavalo perdido apareceu em casa e comeu toda a horta da minha mãe.
Plantei muitas árvores e flores, guardava casulos de borboleta pra ver eles abrirem. Perdi a conta de quantas vezes me deparei com cobras e aranhas, venenosas ou não, mas de qualquer uma delas eu sempre preferi manter uma distância segura. Tinha tatu, macaquinhos, e até viados, uma vez achamos um filhote de jaguatirica atrás da minha casa e meus cachorros volta e meia apareciam depois de ir caçar com a boca cheia de espinhos de porco espinho, ouriço, era uma complicação tirar aquilo tudo...
Estudei em colégios que ficavam em sítios ou chácaras, tinha galinha, pato, vacas e coelhos. A gente fazia bolo e pão com os ovos que a gente mesmo pegava, tirava leite das vacas e cuidava de todos os bichos quando eles ficavam doentes. Comi muito caqui, carambola, amora e jaboticaba no pé, muita goiaba equilibrada nos galhos mais altos da árvore, brincava de esconde-esconde no meio da floresta e perturbava formigueiros. Todo dia de manhã indo pra escola a gente cruzava com a boiada na estrada indo para o pasto, e no final da tarde com eles voltando pro curral.
O tempo tinha um rítmo qua acompanhava os ciclos do dia e das estações, era uma delícia acordar naquela manhã azul de inverno e descobrir a grama e o carro cobertos pelo gelo fino da geada que tinha vindo durante a noite, e ver ele ir derrentendo aos pouquinhos com o sol que esquentava, sentir aquele sol batendo na minha pele e me esquentando também. Era engraçado quando chovia muito e não tinha aula por que não havia como passar pelo lamaçal que a estrada de terra tinha virado. Dormir lendo na grama de baixo de uma árvore na primavera e ficar assustada com as chuvas de granizo que caiam no verão, ver o orvalho de manhã lavando todas as plantas.
O tempo passou, e eu cresci meio moleca, aprendi a lidar com as distâncias, a dirigir na estrada todo dia, a gostar da vida de vinte e quatro horas de Sampa, a odiar congestionamentos , a viver correndo, sempre atrasada pra tudo. Eu vi a mata e a boiada irem diminuindo, o número de casas aumentando, as estações ficando cada vez mais misturadas, mais indistintas, os bichos desaparecendo, mas nunca perdi essa ligação especial com o clima, nunca deixei de procurar e prestar atenção nessa força vital, mesmo que às vezes seja tão fugidia e tão escondida pela poluição, pelo asfalto, pelos prédios. Eu sei que crescer onde e como eu cresci me faz ter uma visão do mundo bastante distinta daqueles que cresceram em apartamentos, me faz diferente, e essa diferença é grande parte do que me faz ser um tanto amalucada.
Hoje muitas vezes eu fico triste por não poder aproveitar do dia, por que eu passo, e todos que moram nessa cidade insana passam, a maior parte do tempo em bolhas, isolada das enterpéries, isolados do tempo, correndo atrás do relógio ditador e enlouquecido. Vou do carro pra dentro de uma sala, depois outra sala fechada com ar condicionado, para um restaurante, para um apartamento, para um shoping, um cinema, um carro e quase nunca fico sem um teto sobre a minha cabeça, e um vidro me separando do mundo. Esse isolamento do dia me faz sentir meio morta, meio anestesiada, um zumbi que segue outros zumbis sem ter tempo de parar e aproveitar. Mas eu sempre tenho as lembranças e esses raros momentos de comunhão com a vida para aproveitar e tentar não me deixar ser totalmente engolida e digerida pela máquina de fazer doido que é essa adorável e confusa cidade.
Arranhado por Cheshire às 00:20
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Quinta-feira, Novembro 13, 2003
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Fazendo uma busca rápida no google achei outros blogs de fãs da Alice no País das Maravilhas, achei que seria legal ter esses links por aqui. Se alguém conhecer mais algum blog com temas relacionados mande o endereço. Vamos fazer uma coleção deles...
O Sorriso Do Gato Da Alice
O Blog Do Chapeleiro Maluco
Alice In Wonderland
Cheshire Cat
Alice du Pays des Merveilles
Arranhado por Cheshire às 19:22
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Quarta-feira, Novembro 12, 2003
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Tem um grande amigo meu que sempre fala como ele adora essa mudança de estação. Os dias vão ficando mais longos e mais quentes, o sol mais forte, e as mulheres vão aos poucos descobrindo a pele que ficou guardada, escondida sob as roupas mais pesadas e as calças.
Ele diz que adora ver como vão surgindo as pernas, as saias curtas, os vestidos vaporosos, as sandálias abertas. Ele se diverte com o vento que brinca com as saias, mostrando mais do que devia. É uma boa mudança...
Eu gosto dessas noites quentes acompanhadas de um vento fresco, parece que o corpo tem muitas novas possibilidades de sensação. Eu gosto de usar saia no calor abafado do dia e continuar a me sentir confortável quando a noite esfria.
Gosto do cheiro e do gosto novo que pairam no ar, eu sempre me lembro do mar nessa noites quentes. Lembro do cheiro da maresia e do melado que ela deixa no corpo, e de como é bom andar na praia sentindo a areia fria e úmida e ouvindo o barulho do mar.
Adoro a sensação de que coisas novas são prováveis e coisas especiais são possiveis, parece haver uma espectativa no ar, uma ansiedade de experimentar. Gosto de sair irresponsavelmente sem levar um casaco e me sentir leve, acabo ficando com a sensação de que sempre estou esquecendo alguma coisa, força do hábito de estar sempre carregando uma blusa.
Me sinto mais leve, mais desimpedida, e até um tanto quanto mais sapeca, como uma criança que esta planejando aprontar alguma coisa. Gosto de ter más intenções...
Essas noites quentes são dias para dormir com pouca ou sem roupa, jogar o edredom no chão e ficar só com o lençol. É tempo de ouvir sapos, grilos e outros bichos, alguns mais, outros menos, agradáveis, e dormir com essas estranhas canções de ninar.
É tempo de experimentar o corpo, explorar as sensações do verão, sentir prazer e suar. Melhor ainda se for junto com alguém especial...
Arranhado por Cheshire às 03:07
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Terça-feira, Novembro 11, 2003
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Leitura útil para dias de chuva ou de tédio profundo.
Melhor ainda, para aqueles dias em que vc tem vontade de bancar Pink e Cérebro e dominar o muuuuuundo (basicamente todas as sextas-feiras após às cinco da tarde...)
Manual do Vilão Reamente Malvado
Arranhado por Cheshire às 23:03
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Adoro essa música. E as vezes os dias duram semanas nessa roda viva, e vai sendo engolfado, engolido, preso num turbilhão de ideias, sentimentos e acontecimentos...
Roda Viva.
Chico Buarque
Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu,
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu.
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar,
Mas eis que chega a roda viva
E carrega o destino pra lá.
Roda mundo, roda-gigante,
Roda moinho, roda pião.
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração.
A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir,
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir.
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há,
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a roseira pra lá.
Roda mundo, roda-gigante,
Roda moinho, roda pião.
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração.
A roda da saia, a mulata
Não quer mais rodar, não senhor,
Não posso fazer serenata,
A roda de samba acabou.
A gente toma a iniciativa
Viola na rua, a cantar,
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a viola pra lá.
Roda mundo, roda-gigante,
Roda moinho, roda pião.
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração.
O samba, a viola, a roseira
Um dia a fogueira queimou,
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou.
No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar,
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a saudade pra lá.
Roda mundo, roda-gigante,
Roda moinho, roda pião.
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração.
Arranhado por Cheshire às 14:09
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Sexta-feira, Novembro 07, 2003
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Piadinha que eu recebi no e-mail. Mas acho que fala bem dos percalços da vida moderna...
"Querido Diário,
Hoje começo a fazer dieta. Preciso perder 8 kg. O médico aconselhou a fazer um diário, onde devo colocar minha alimentação e falar sobre o meu estado de espírito.
Sinto-me de volta a adolescência, mas estou muito empolgada com tudo. Por mais que dieta seja dolorosa, quando conseguir entrar naquele vestidinho preto maravilhoso, vai ser tudo de bom.
Primeiro dia de dieta.
Um queijo branco. Um copo de diet shake. Meu humor está maravilhoso. Me sinto mais leve. Uma leve dor de cabeça talvez.
Segundo dia de dieta.
Uma saladinha básica. Algumas torradas e um copo de iogurte. Ainda me sinto maravilhosa. A cabeça doi um pouquinho mais forte, mas nada que uma aspirina não resolva.
Terceiro dia de dieta.
Acordei no meio da madrugada com um barulho esquisito. Achei que fosse ladrão. Mas, depois de um tempo percebi que era o meu próprio estômago. Roncando de dar medo. Tomei um litro de chá. Fiquei mijando o resto da noite.
Anotação: Nunca mais tomo chá de camomila.
Quarto dia de dieta.
Estou começando a odiar salada. Me sinto uma vaca mascando capim. Estou meio irritada. Mas acho que é o tempo. Minha cabeça parece um tambor. Janaina comeu uma torta alemã hoje no almoço. Mas eu resisti.
Anotação: Odeio Janaina
Quinto dia de dieta.
Juro por Deus que se ver mais um pedaço de queijo branco na minha frente, eu vomito! No almoço, a salada parecia rir da minha cara. Gritei com o boy hoje! E com a Janaina. Preciso me acalmar e voltar a me concentrar. Comprei uma revista com a Gisele na capa. Minha meta. Não posso perder o foco.
Sexto dia de dieta.
Estou um caco. Não dormi nada essa noite. E o pouco que consegui sonhei com um pudim de leite. Acho que mataria hoje por um pedaço de brigadeiro...
Sétimo dia de dieta.
Fui ao médico. Emagreci 250 gramas. Tá de sacanagem! A semana toda comendo mato. Só faltando mugir e perdi 250 gramas! Ele explicou que isso é normal. Mulher demora mais emagrecer, ainda mais na minha idade. O FDP me chamou de gorda e velha!
Anotação: Procurar outro médico.
Oitavo dia de dieta.
Fui acordada hoje por um frango assado. Juro! Ele estava na beirada da cama, dançando can-can.
Anotação: O pessoal do escritório ficou me olhando esquisito hoje, Janaina diz que é porque estou parecendo o Jack do Iluminado.
Nono dia de dieta.
Não fui trabalhar hoje. O frango assado voltou a me acordar, dançando dança-do-ventre dessa vez. Passei o dia no sofá vendo tv. Acho que existe um complô. Todos os canais passavam receita culinária. Ensinaram a fazer Torta de morangos, salpicão e sanduiche de rocambole.
Anotação: Comprar outro controle remoto, num acesso de fúria, joguei o meu pela janela.
Décimo dia de dieta.
Eu odeio Gisele B.
Décimo primeiro dia de dieta.
Chutei o cachorro da vizinha. Gritei com o porteiro. O boy não entra mais na minha sala e as secretárias encostam na parede quando eu passo.
Décimo segundo dia de dieta.
Sopa.
Anotação:Nunca mais jogo poquer com o frango assado. Ele rouba.
Décimo terceiro dia de dieta.
A balança não se moveu. Ela não se moveu! Não perdi um mísero grama! Comecei a gargalhar. Assustado o médico sugeriu um psicologo. Acho que chegou a falar em psiquiatra. Será porque eu o ameacei com um bisturi?
Anotação: Não volto mais ao médico, o frango acha que ele é um charlatão.
Décimo quarto dia de dieta.
O frango me apresentou uns amigos. A picanha é supergente boa, e a torta, embora meio enfezada, é um doce.
Décimo quinto dia de dieta.
Matei a Gisele B! Cortei ela em pedacinhos e todas as fotos de modelos magérrimas que tinha em casa.
Anotação: O frango e seus amigos estão chateados comigo. Comi um pedaço do Sr. Pão. Mas foi em legítima defesa. Ele me ameaçou com um pedaço de salame.
Décimo sexto dia.
Não estou mais de dieta. Aborrecida com o frango, comi ele junto com o pão. E arrematei com a torta. Ela realmente era um doce."
Arranhado por Cheshire às 19:41
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Terça-feira, Novembro 04, 2003
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Para quem não sabia quem é Cheshire...
Arranhado por Cheshire às 15:35
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Segunda-feira, Novembro 03, 2003
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TPM é um droga! Tensão Pré-Menstrual, aliás que nomezinho infeliz, por que não necessariamente a gente fica mais tensa nesses períodos do mês. Nome muito mais adequado seria alteração pré-menstrual, por que a gente fica muito alterada isso sim.
Todos os sentidos, sensações e sentimentos ficam alterados, algumas vezes são exacerbados, outras diminuidos, outras vezes ainda são simplesmente distorcidos.Eu caio no choro vendo um comercial de margarina, ou então se a roupa que eu queria usar esta lavando acho que o mundo todo está me sabotando, que nada nunca vai dar certo. Eu me irrito com as pessoas sem motivo nenhum, só o tom da voz de alguém pode me deixar maluquinha. Mas ao mesmo tempo ganhar um simples abraço ou um bombom pode ser razão para chorar de alegria, para sentir se absolutamente amada.
Tudo ganha um importância muito maior do que deveria ter, parece que por alguns dias você vê o mundo sob uma lente de aumento, tudo aumentado e distorcido. Todas as coisas são fortes e intensas, bastante perturbadoras. Seu corpo está pronto para a guerra.
Eu odeio o carater disfarçado da TPM, ela vem, se insinua, te invade sem que vc se dê conta disso. Ela altera a percepção de modo que nem ao menos se possa percebê-la, demora para a gente perceber que está para ficar menstruada, para perceber que nem todo mundo te odeia, que você não é horrivelmente feia e gorda, que o mundo não está querendo te fazer infeliz, afinal o universo não gira ao redor do seu umbigo.
Eu fico com uma dorzinha de cabeça constante, minhas costas doem, fico toda inchada, meus peitos doem, minha barriga não cabe dentro da calça, aparecem milhares de celulites novas, que minha bunda fica parecendo a superfície da lua, cheia de crateras... E ainda por cima a gente tem que aguentar os homens dizendo: "deixa de frescura" ou então: "Você esta com TPM, né?" Meninos, aprendam para o bem da espécie, e para preservar sua própria saúde, que vocês NUNCA devem perguntar para uma mulher de TPM se ela está de TPM, ou fazer piadinhas a respeito. Isso pode ser bastante arriscado, especialmente para sua capacidade reprodutiva...
Tenham sempre a mão um suprimento de chocolate e lenços de papel, isso pode evitar diversos problemas e dores de cabeça.
Eu tento, sempre que eu percebo que chegou o momento avisar a todos que não estou no melhor dos meus humores, para que todos já estejam cientes da situação e evitem uma provável tragédia, mas nem sempre dá tempo...
Arranhado por Cheshire às 17:50
Miados:
Tem dias que a gente tem muita coisa pra falar, senta na frente do micro e o texto não sai. Parece que as palavras não fluem, ficam entaladas na garganta...
Hoje eu chorei...
Arranhado por Cheshire às 02:34
Miados:
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