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Sábado, Dezembro 27, 2003
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Gente, eu to indo viajar, espero me divertir bastante. Então deixo um feliz ano novo para todos, adorei as visitas e os comentários.
Desejem-me boa sorte, para que eu ache um moreno alto, bonito e sensual, que seja a solução para os meu problemas, carinhoso, bom nivel social. Inteligente e a disposição pra um relacionamento intimo e dicreto, que realize meu sonho sexual. (Alguém lembra dessa musica?)
Muitos beijos e até o ano que vem!
Morfologia do Amor
Foto de Margarida Araújo em 1000 Images
Arranhado por Cheshire às 02:43
Miados:
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Sexta-feira, Dezembro 26, 2003
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Às vezes é estranho como a vida pode nos surpreender, como as coisas podem mudar e algumas vezes você está tão ocupado com as pequenas coisas do cotidiano que nem para pra pensar direito.
Não faz muito tempo eu fiz 26 anos, e o mais estranho é que as vezes não consigo acreditar que eu já tenho 26 anos, eu olho no espelho e ele me diz que o tempo passou. Eu me olho e vejo alguém tão diferente que demoro a me reconhecer. Ainda acho que tenho dezenove anos, parece que eu acordei depois de um longo tempo dormindo e me vi nesse lugar, e não sei bem como eu cheguei aqui, como parece ter sido apenas um piscar de olhos e todo esse tempo passou.
Eu me lembro de pensar e achar que com essa idade, eu já estaria casada, com filhos, com um carreira estabelecida, que eu já seria adulta. Mas ainda não me vejo como adulta, ainda me sinto como uma adolescente. Com dezoito, dezenove anos eu acreditava que as possibilidades eram tantas, parecia que eu podia tanta coisa. Acho que eu me perdi diante de tantas possibilidades... Eram tantas, que eu não soube escolher.
É óbvio que eu estava lá esse tempo todo, que tive milhares de experiências, que fiz muitas coisas. Mas também tudo parece envolto em uma névoa, uma bruma, é como se apenas agora eu estivesse conseguindo alcançar o trem da minha vida, correndo atrás do atraso. É como se durante esses anos eu tivesse apenas me deixado levar, conduzir pelos caminhos que o mundo me mostrava, escorrendo como água pelas pedras.
Os três anos do colegial parece que duraram tantos, e depois disso, tudo passou correndo, meio que independentemente da minha participação. Já houve um momento onde as coisas eram claras, onde eu estava centrada, por pior que as coisas estivessem eu conhecia a mim mesma. Agora me sinto meio perdida, cheia de dúvidas, meio fora de foco, é dificil sentar me concentrar, e simplesmente me encontrar.
As pessoas, e até eu mesma, esperavam grandes coisas de mim, grandes realizações e conquistas, eu não consegui cumprir. Finalmente encontrei uma rota e busco seguí-la, ainda posso fazer grandes coisas, mas tudo tem um sentido de urgência muito maior. Eu precisei fazer escolhas, e toda escolha implica em uma perda, perdi alguns caminhos possíveis, claro que encontrei outros, mas muitas vezes ainda me questiono... Eu queria abraçar o mundo com as pernas.
E nem consegui concluir a faculdade ainda...
Esse foi o segundo Natal desde a separação dos meus pais, e o primeiro desde a morte do meu tio... É dificil entender como coisas que se tinha como certas e imutáveis desaparecem, como as tradições, os rituais mudam, têm que se adaptar à nova situação.
Acho que crescer tem a ver com perder algumas certezas...
Para Luis
Arranhado por Cheshire às 02:57
Miados:
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Domingo, Dezembro 21, 2003
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Vale a pena, vez em quando, prestar atenção nas dicas do Blogger.
Achei esse blog muito legal: Ménage à Trois.
Texturas Corporais de Pedro Gomes em 1000 Images
"Quero guardar comigo
A impressão do teu corpo no meu
O brilho dos teus olhos sorrindo
O sal do teu suor em minha boca"
Arranhado por Cheshire às 20:48
Miados:
Mais um do compêndio de psicopatologias.
Transtorno de Grouxo Marx
Descrição: "Nunca pertenceria a um clube que me aceitasse como sócio." O portador do Transtorno de Grouxo Marx sofre de sérios problemas de auto-estima, ele crê que ninguém em sua plena capacidade mental poderia gostar dele. Ou seja, se alguém acha o doente minimamente interessante, deve haver algo errado com essa pessoa, e consequentemente não se deve ter uma relação com ela. Se alguém gosta do louco não é boa o suficiente para se relacionar com ele.
O transtonto se manifesta em diferentes graus, mas pode ser considerado como uma patologia quando impede o portador de criar e manter relações saudáveis. São aquelas pessoas que vemos desprezando todos aqueles que com ela se importam, e sempre correndo atras de quem o trata mal. Nunca seja simpático com um Grouxo Marx, pois assim você automaticamente torna-se uma pessoa despresível e não digna da companhia dele.
Tratamento: Maciças doses de Lexotan e Prozac na veia e um espelho. Deve-se usar uma intervenção de choque, antes que o transtorno se instale de forma completa ou haverão sequelas permanentes. O tratamento em grupo pode ser bastante interessante (especialmente para o terapeuta).
Causas: Baixa auto-estima exagerada, associada a falta de espelho e défict no desenvolvimento da rede neuronal da crítica. Existe correlação com assistir a filmes demais com o Brad Pitt ou com a Sharon Stone.
Arranhado por Cheshire às 19:48
Miados:
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Sexta-feira, Dezembro 19, 2003
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Prisioneira
Foto de Manoel Passos em 1000 Images
Sabe o que eu detesto nessa época do ano? A obrigação de ser feliz, de estar feliz. É uma felicidade imposta e artificial, e todos correm para cima e para baixo procurando encontrá-la em alguma loja, e se você por algum infortúnio entrar na frente, será impiedosamente atropelado.
Em busca da alegria e do espírito natalino as pessoas passam por cima umas das outras. O trânsito vira um inferno, as ruas ficam insuportavelmente cobertas de formigas e o som das buzinas abafa as canções natalinas atraindo os compradores para as lojas. A mesma canção se repete, repete, com um disco riscado.
Eu sempre achei essa época do ano meio sufocante e melancólica, sempre achei que a noite de Natal era incrivelmente triste e solitária, e me achava um ser completamente sozinho e estranho. Eu não estava contagiada com aquela felicidade que todos pareciam ter, e me sentia ainda mais triste por isso, ainda mais sozinha. Só muito tempo depois é que eu fui descobrir que é assim para muitas pessoas.
A solidão bate mais forte quando a gente acha que todo o resto do mundo esta acompanhado e amado, mesmo que todos no final das contas estejam se sentindo exatamente como você, mesmo que todos sintam-se tristes e deslocados e estampem uma máscara de sorriso no rosto.
Você sabia que a noite de Natal é a noite com o maior número de suicídios? Acho que talvez fosse melhor compartilhar essa tristeza...
Arranhado por Cheshire às 01:52
Miados:
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Quinta-feira, Dezembro 18, 2003
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Sinto-me Esquisito!
Foto de Manoel Passos em 1000 Images
Arranhado por Cheshire às 19:48
Miados:
No colégio onde estudei havia uma tradição, os professores dedicavam a cada formando do terceiro colegial um filme. Um filme que de alguma forma tivesse algo, dissesse algo daquele aluno que estava indo embora. Assim nos despedíamos do colegial ganhando um oscar, um bonequinho daqueles de feira mesmo, pintado de dourado, com o nome do filme que os professores tinham escolhido. Eu ganhei o oscar do filme "Em Algum lugar do Passado".
Acontece que eu sempre fui muito magra, pequena e branca, tenho a pele muito clara (toda vez que eu ia no médico eles me pediam exames de sangue, por acharem que eu estava anêmica, perdi a conta de quantas vezes me espetaram por nada...). As pessoas sempre achavam que eu parecia com uma daquelas pinturas antigas, com uma aparência bastante frágil e delicada. Me chamavam de camafeu, pintura, boneca de porcelana, uma amiga minha desde aquela época conta que ela achava que eu tinha uma aparência etérea. E foi por isso que decidiram dedicar esse filme para mim, por que eu parecia ter vindo realmente de algum lugar no passado.
E só agora, passados quase dez anos, e mais de dez quilos mais gorda, é que eu fui finalmente assistir ao filme inteiro. Eu tinha visto apenas pedaços dele, não por falta de interesse, mas por falta de oportunidade mesmo. Outro dia é que lembrando dessa história eu peguei e finalmente assisti a esse filme.
E não é que no final das contas o filme diz muito mais de quem eu era do que apenas a aparência, ou o título. Eu realmente acreditava nesse amor impossível, perfeito, que pode até atravessar a barreira do tempo. Eu sempre imaginava quais seriam os descaminhos que poderiam me impedir de encontrar esse amor. As vezes até sentia que eu realmente havia nascido em um tempo que não era meu, aonde, ou melhor, quando eu não pertencia, não me encaixava.
Eu tinha aquela melâncolia, tipicamente portuguesa, de sentir saudades de coisas que eu não conhecia, de tempos que eu não tinha vivido, de lugares aos quais eu nunca fui... Sentia saudade de uma outra história que não era minha. Eu acreditava em morrer de e por amor, dizia que eu era uma romântica, e não no sentido mais comum do termo, mais uma romântica no sentido do movimento literário mesmo, uma ultraromântica, assim como Álvares de Azevedo.
Hoje os anos e os quilos me deixaram um tanto quanto mais cínica, menos idealista.
Bom, adolescentes são meio bobos mesmo e basta ser um tantinho diferente pra se sentir completamente inadequado e cheio de spleen...
Arranhado por Cheshire às 18:39
Miados:
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Quarta-feira, Dezembro 17, 2003
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Hoje eu assiti ao filme "About a Boy" com o Hugh Grant, pode parecer uma comédia boba a princípio, mas além de ter uns toques de humor negro geniais, dá pra rir bastante. E como se não bastasse isso, especialmente no começo, serve como um ótimo exemplo da frase que um amigo meu vive repetindo (amigo que por acaso assistiu ao filme comigo): "Não existe homem sensível, ou ele é gay, ou está querendo te comer."
Arranhado por Cheshire às 00:30
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Segunda-feira, Dezembro 15, 2003
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Em parceria com amigos estou escrevendo um novo compêndio de psicopatologias. Aquelas que não constam nos manuais de diagnóstico normais mas deveriam...
Aqui vai a primeira: A Neurose da Vaca Atolada
Descrição: Dadas duas vacas, uma bela bonita, limpinha, perfeitamente saudável e disponivel; e a outra feia, maltrapilha, infestada de bernes, e obviamente atolada até o pescoço no lamaçal fétido, o portador da neurose sempre há de escolher a maldita vaca atolada.
Ele irá empreender todo seu esforço no sentido de desatolar a vaca, puxa daqui, empurra dali, se enfia completamente no lamaçal e a fatídica vaca continua ali, com aquele seu ar de ruminante, e seu olhos bovinos tão característicos.
Quando finalmente consegue desatolar a filha-da-puta da vaca, ela ainda necessita de cuidados. Espremer os bernes, limpar o couro, alimentá-la, acariciá-la, dar prozac e lexotan pra ela. Isto toma toda a atenção do neurótico, mas a medida que ela melhora seu interesse diminui, ele já começa a olhar para os lados, para outras vacas.
A vaca, agora bela e faceira, despede-se então do seu cuidador, e um novo dono poderá agora aproveitar de todas as melhorias, ficará com uma vaca bem nutrida, cuidada, com uma bela vaca. Ela agradece todos os cuidados mas aquela relação não tem mais futuro...
Abandonado, e abandonador da vaca não mais atolada o sofredor da neurose sai em busca de uma nova vaca, obviamente atolada, para poder desatolar, cuidar, esperar que ela fique boa... Tudo novamente.
Tratamento: Atualmente existe pouca esperança para os neuróticos da vaca atolada, espera-se desenvolvimento de novos tratamentos em breve. Mas na corrente situação o melhor a ser feito é a restrição física e a participação em grupos de apoio como ou Neuróticos da Vaca Atolada Anônimos (NVAA).
Causa: As causas são até o momento desconhecidas. Mas existe alguma evidência de redução cerebral na área responsável pela noção, seria uma forma de manifestação da Falta de Noção.
Arranhado por Cheshire às 19:17
Miados:
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Domingo, Dezembro 14, 2003
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Esse texto uma amiga minha colocou no blog dela, gostei tanto que achei que valia a pena republicar aqui.
"Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E porque à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã, sobressaltado porque está na hora.
A tomar café correndo porque está atrasado. A ler jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíches porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia. A gente se acostuma a abrir a janela e a ler sobre a guerra. E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E aceitando as negociações de paz, aceitar ler todo dia de guerra, dos números da longa duração.
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto. A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que paga. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com o que pagar nas filas em que se cobra.
A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes, a abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema, a engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.
A gente se acostuma à poluição. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às besteiras das músicas, às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À luta. À lenta morte dos rios. E se acostuma a não ouvir passarinhos, a não colher frutas do pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente só molha os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda satisfeito porque tem sono atrasado. A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.
Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, de tanto acostumar, se perde de si mesma."
Marina Colasanti
Arranhado por Cheshire às 16:42
Miados:
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Sábado, Dezembro 13, 2003
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O texto passado deu o que falar, adorei receber tantas visitas de gente nova, e Diva Artisan achei muito legal vc ter linkado meu blog lá no seu, e também gostei bastante do seu texto comentando esse aqui.
Mas, acho que precisava deixar uma coisa clara: as coisas que eu disse não se aplicam a todos os homens que existem por ai, apenas para alguns tipos específicos. Se o cara quer ser tosco, que seja. Se ele quer uma mulher pra cozinhar, lavar e passar, pode procurar que vai achar por ai. O que realmente me incomoda são os caras ditos liberais, que na hora do vamos ver se mostram retrógrados e conservadores, no sentido ruim da palavra. Que adoram dizer que são diferentes, que querem uma companheira, que acham legal uma mulher que tenha experiência e escolha ficar com eles, mas que no final das contas não conseguem lidar com isso.
Não venha me dizer que você é um cara legal, me prove isso com as suas ações. Essa discrepância entre o discurso e a prática é que enche o saco. As mulheres hoje em dia dificilmente precisam ser enganadas para ir para cama com alguém, então não gaste seu latim com meias verdades, que iram gerar espectativas e cobranças. Vale bem mais a pena ser honesto, dá até menos trabalho...
Comentei no Liberal, Libertário e Libertino:
Eu não acho que os homens saibam o que querem, tanto quanto as mulheres. O que realmente me incomoda é eles dizerem que sabem o que querem, pra depois ouvir o tipico "não é vc, sou eu". No final das contas acho que nem somos tão diferentes assim, e sempre acreditei que amar alguém não é suportar os defeitos e gostar das qualidades, mas sim, gostar dos defeitos e suportar as qualidades, pq no final das contas aquela primeira coisa que te atraiu vai ser a que mais vai dar trabalho. Ah, detalhe: ninguém muda, a gente é que passa a lidar com as coisas de forma diferente, seja pro bem ou pro mal...
Comentei no Arte Erótika:
Esse assunto dá muito pano pra manga, tem muita coisa pra pensar e discutir a respeito, mas acho que as vezes o legal seria deixar de lado um pouco essa dicotomia homemxmulher e poder se realacionar mais como pessoas antes de tudo. Sei não, mas acho que desse jeito as coisas iam ficar bem mais faceis...
Arranhado por Cheshire às 01:22
Miados:
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Quinta-feira, Dezembro 11, 2003
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Homens...
Alguém pode me dizer o que está acontecendo com os seres do sexo masculino nesse mundo?
Como disse o Marco Aurélio, do Jesus, me Chicoteia!, eles continuam com aquele medo ancestral de achar que na terceira vez que sai junto você já quer casar e ter filhos com ele. Já entra na neurose de o que vai acontecer daqui a quatro, cinco, seis meses... Ei meu filho! Não sei nem se vou estar viva até lá (espero que sim), quanto mais se eu ainda vou estar afim de ficar com você. Que horror é essa coisa de já ficar se preocupando com o que pode rolar antes mesmo de acontecer qualquer coisa, e como diria um amigo meu: " você não está com esse pinto todo..."
E agora ainda por cima estão ficando cada vez mais "mulherzinhas", e entenda bem, eu não tenho saco nem pra mulher muito "mulherzinha". Não faz isso, não faz aquilo, e ainda por cima querem que mesmo assim a gente faça. Eles querem sair dividir a conta, mas se você já transou com outros caras, não é uma virgem pura e santa e gosta de sexo você é uma vaca.
Sabe que as vezes parece que a emancipação das mulheres deixou a vida dos homens muito fácil, a gente, para provar que pode, faz as tarefas que eram consideradas masculinas e continua fazendo as chamadas femininas, como cozinhar e cuidar dos filhos. Ou seja, eles acabaram ficando com o melhor dos dois mundos, não precisam mais ser o provedor, mas também não dividem as outras tarefas. Ou se o fazem, fazem como se fosse um favor, como que dizendo " viu como eu sou legal?". E quando eles usam aquelas desculpas do tipo "eu sou homem, não sei fazer isso, não consigo, pra você é muito mais fácil" a gente cai feito patinha.
E apesar de tudo quando eles encontram uma mulher bem sucedida, resolvida, que entende que ele saia com os amigos, que queira participar do que ele gosta, que queira ser uma companheira, eles não aguentam, morrem de medo, saem correndo, não acham a menos graça. Quando acham uma mulher que é aquilo que o discurso pregava, desistem, afinal é muito fácil assim, não tem graça. Não tem a mulher chata pra culpar por não poder ir tomar cerveja, ou falar mal para os amigos. Quase todos os caras que eu conheço querem a chamada mulher para casar, aquela que liga de meia em meia hora, que odeia os amigos dele, que faz o tipo certinha e não fala pinto.
Eu certamente não me enquadro na categoria das ditas mulheres para casar, para os homens que fazem essa distinção, e embora muitas vezes eu me irrite com isso, tenho um certo orgulho velado também. Acho que eu ficaria muito ofendida se um desses caras me considerasse mulher para casar, para mim seria algo como me chamar de idiota e chata.
Mas uma das coisas que mais tem me incomodado atualmente é o ar blasè que os homens assumiram em relação ao sexo. Acabam fazendo sexo como uma demonstração performática, "vamos experimentar o kama Sutra inteiro só para provar que eu posso". Não querem mais ter aquela postura de moleque bobo que nunca viu um par de peitos na frente, tem sempre um certo ar displicente, de quem já conhece montes e não liga muito para mais um (quem tem internet realmente já viu quase todos os tipos de peitos possiveis, mas...) E não existe coisa mais divertido do que ver um homem bobo feito um menino, parecendo que ganhou o melhor presente de Natal...
Eu realmente acredito que sexo é pra ser bobo e ridiculo. Tem coisa mais ridicula do que a cara de alguém gozando? Sexo é pra ser divertido e não performático, não uma exibição de habilidades. É pra ser meio bagunçado, meio sujo e melecado, não dá pra transar sem um certo entregar-se, libertar-se, rir na hora que um bate a cabeça em alguma coisa na pressa, ou que dá uma cãimbra fenomenal, ou mesmo quando ele se atrapalha todo com o fecho do soutien. Perde quase toda a graça quando é feito de maneira fria e asséptica, sexo não é hospital. E depois disso eles ainda querem discutir a relação....
Será que não dá pra simplesmente aproveitar o tempo juntos, curtir estar com aquela pessoa, deixar as coisas irem acontecendo no seu rítmo? Deixar o envolvimento acontecer, se for esse o caso? Acho que está faltando mais prestar atenção nos sentimentos e não nas convenções. E isso vale pra todo mundo, nem tudo numa relação deve ser discutido, não dá pra jogar no outro as responsabilidades por tudo. Discutir absolutamente tudo, além de ser muito desgastante e chato, serve apenas para fugir, esquivar-se de resolver o problema, que muitas vezes é só seu. Chega a ser uma forma de covardia ou até crueldade.
Arranhado por Cheshire às 00:58
Miados:
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Quarta-feira, Dezembro 10, 2003
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Genial esse texto da Jô Hallack no 02 Neurônio. O link direto não funciona, então vejam na coluna A Moça e seus Problemas o texto "Curso de Roteiro para Sessão de Análise", vale a pena dar uma olhada.
Campanha faça seu psicanalista uma pessoa mais feliz, ele anda precisando...
Arranhado por Cheshire às 03:09
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Terça-feira, Dezembro 09, 2003
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Ana por Maria do Carmo em 1000 Images
Que belo olhar, que mistério que deixa entrever um sorriso! Revelar-se sem desnudar-se. Abrir aos outros a alma, mostrar-lhes o mundo através de seus olhos, de suas lentes caleidoscópicas, mas não mostrar-se...
Arranhado por Cheshire às 02:49
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Segunda-feira, Dezembro 08, 2003
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Outro dia um amigo meu me mandou um e-mail contando de uma peculiaridade do Google, se você vai em preferências e depois idiomas de interface você pode mudar o idioma em que a página do google é exibida. Tem um monte de línguas, chinês, árabe deve ter até javanês... Agora se olhar com mais cuidado vai perceber que aparecem umas opções meio esquisitas, como lingua do p, klingon (pra quem não sabe é a lingua inventada para uma raça de Star Trek, coisa de über nerd).Mas a que eu mais gostei foi a Hortelino Troca Letras, eu mudei e não conseguia parar de rir vendo a página do google com coisas como: "I´m feewing wucky".
Tá, eu sei nem é tão engraçado assim, mas depois de passar algumas horas brigando com o Excel, pra variar um pouco, e lidando com amostras, análises qui-quadrado, desvio padrão, significâcia, variância e valores críticos aquilo pareceu a coisa mais engraçada do mundo. Eu passei uns dez minutos rindo, e as pessoas a minha volta já estavam me olhando com aquela cara de ponto de interrogação, no melhor estilo "o médico mandou não contrariar".
Obviamente quando eu fui mostrar o que era para elas, recebi aqueles sorrisos amarelados, comentários meio de lado "é divertido mesmo" e é claro que depois disso a minha fama de louca só piorou, como se não bastasse eu andar dançando sozinha pelo laboratório ouvindo musicas no walkman, ou as besteiras que eu falo quando a conversa descamba pra gozação. Mas não quero falar sobre isso agora...
Eu não consigo deixar de me divertir absurdamente com esse pequeno toque de humor, imaginem o cara que fez isso, que se deu ao trabalho de traduzir as frases da página e as mensagens para essas "línguas", imaginem o quanto ele deve ter se divertido fazendo isso. Adoro pensar no programador, numa bela madrugada, já de saco cheio de tudo, que resolve enfiar alguma coisa absurda no meio de algo pretensamente sério.
Adoro essa pequenas escapadas da imaginação humana que são os chamados easter eggs (surpresass bem humoradas que os programadores enfiam no meio do código de programas, dentro do Excel tem um jogo, se você clicar no nariz da foto do cara do Mirc faz um barulhinho divertido, coisas do tipo...). Eles tem um quê de loucura, de subversão, de inconformismo que me faz renovar minha fé na raça humana. Ainda somos capazes de não nos levar tão a sério, de brincar, de fazer coisas inúteis, apenas por que são divertidas, que ainda existe imaginação e bom humor nesse mundo. Nem tudo precisa ser levado a sério, com aquele ar frio de diagnóstico. Ainda temos esperança.
Porra! Para e faz uma piada, não há nada mais humano e divertido do que fazer bobagens sem sentido. Não custa nada e vale muito.
PS. Como será que eu faço pra voltar ao normal a língua do meu google depois que eu coloquei em chinês? Preciso de alguém que saiba ler em chinês? Como vou saber qual daqueles símbolos é português?
Arranhado por Cheshire às 22:09
Miados:
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Domingo, Dezembro 07, 2003
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O blogger não me deixa postar... A sessão expira em cinco segundos.
Mas a gente continua tentando...
Arranhado por Cheshire às 23:53
Miados:
Eu enjoei terrivelmente do visual desse blog, ando ficando irritada só de olhar para ele. Mas não tenho muito conhecimento pra alterar as coisas, e também ando meio sem idéias...
Mas logo logo eu dou um jeito nisso, vou aproveitar que acabaram as aulas pra ver se aprendo um pouco de html Vocês criaram um monstro!
De qualquer forma, se as coisas ficarem meio estranhas significa que eu estou mexendo no template e provavelmente fiz alguma besteira.
Podem me imaginar arrancando os cabelos e ficando vesga de tanto olhar para aquele monte de códigos tentando entender onde foi que eu errei, e o que significam todas aquelas palavras estranhas que apareceram do nada... Assim pelo menos a gente se diverte no processo.
Peguei o maior bode...
Arranhado por Cheshire às 04:27
Miados:
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Quarta-feira, Dezembro 03, 2003
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Posts preguiçosos de final de semestre na faculdade... O vicio não me permite deixar as coisas em branco, mas as responsabilidades não me permitem sentar para escrever com calma...
Arranhado por Cheshire às 01:21
Miados:
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Segunda-feira, Dezembro 01, 2003
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Piadinha velha dos arquivos do e-mail...
Mulher,
Se vc quiser alguém que faça qualquer coisa para te agradar...
Compre um cachorro
Se vc quiser alguém que traga o jornal sem primeiro tirar a seção de esportes e o deixe todo bagunçado...
Compre um cachorro
Se vc quiser alguém que parece idiota de tão feliz que fica de te ver...
Compre um cachorro
Se vc quiser alguém que coma o que vc coloque na frente e jamais diga que a mãe fazia melhor ...
Compre um cachorro.
Se vc quiser alguém eternamente disposto a sair com vc, em qualquer hora e pra onde vc quiser...
Compre um cachorro.
Se vc quiser alguém que assuste os ladrões sem ter uma arma letal que coloque em perigo a vida de toda a família e a dos vizinhos...
Compre um cachorro
Se vc quiser alguém que não brigue pelo controle remoto, não se importe com o futebol e possa ficar sentado do seu lado enquanto vc assiste um filme romântico...
Compre um cachorro
Se vc quiser alguém que fique conformado com subir na sua cama para apenas aquecer seus pés e que vc possa tirá-lo dela quando quiser
Compre um cachorro
Se vc quiser alguém que nunca critique o que vc faz, não se importe se vc é linda ou feia, magra ou gorda, com bunda ou sem, nova ou velha, esta com tpm ou não, que aja como se cada palavra de vc diz valesse a pena de ser escutada e te ame incondicional e eternamente, então...
Compre um cachorro...
Mas, se pelo contrário...
Vc quer alguém que nunca vem quando vc chama, te ignora quando vc chega, deixa pêlos por tudo o que é lugar, te pisa, perambula toda a noite por aí, e volta pra casa só para comer e dormir, e que parece que para ele vc só existe para fazê-lo feliz...
Então Amiga...
Compre um gato!
Arranhado por Cheshire às 22:54
Miados:
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