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Quinta-feira, Janeiro 29, 2004
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Despertar continuação
Ainda fitava desesperançoso o teto branco e pálido. Baratas, batatas, baratas, repetia mentalmente até a exaustão. Como palavras tão parecidas podem representar coisas tão distintas? Queria ser uma batata... ops, barata... Ah! tanto faz mesmo.
Eu devia ter vida musical, acordar com a boca de café, me calar com a boca de feijão, tomar a condução, deixar que a rosa e o sorvete machuquem e gelem meu coração, subir na contrução e morrer na contramão atrapalhando o sábado, pena que hoje é terça feira. Aliás, dia mais besta terça feira, dia que não é nada, nem segunda, nem domingo, nem sábado, nem meio, nem começo, nem final da semana
O gosto da noite passada ainda se faz presente em minha boca. Poderia calar o despertador como se cala um puta velha, com um belo tapa, mas deixo que ele continue com sua cantiga. Busco com meus dedos ansiosos o maço de cigarro na cabeceira da cama, e começar o dia entre anéis de fumaça.
Parece que o Sr. Hyde finalmente acordou, será que essa montruosidade não podia dormir até mais tarde hoje? " Do que você está falando, moleque? Gosto do que? de CloseUp de morango? e que história é essa de cigarro? A gente nem fuma."
-Deixa de ser estraga prazeres, como você é chato! E eu podia começar a fumar se quisesse, tá?
-Ah é? Como com essa rinite alérgica? E além do que mamãe ia te matar, ou melhor, nos matar!
-Não enche, e vê se volta a dormir e me deixa em paz.
-Que dormir? A gente tem que levantar...
Neste momento a semi penumbra do quarto foi subitamente invadida pela luz, meus olhos precisaram se acostumar à claridade antes que eu pudesse distinguir a figura que invadia meu quarto...
-Menino, você ainda está deitado? Levanta logo, seu pai tem uma reunião cedo e não pode chegar atrasado, nem pense sem perder a primeira aula.
Bem que eu queria poder dizer: " Mamãe morreu, não me lembro quando, se ontem ou semana passada..."
-Cala boca seu idiota! e deixa de besteira! Sr. Hyde nunca poderia me deixar, sua monstruosidade era parte de mim...
Continua...
Arranhado por Cheshire às 22:00
Miados:
Chatices
Alguém já se perguntou por que os chatos são chatos? Todo mundo sabe reconhecer um chato, mas o que torna algumas pessoas chatas? Qual a característica básica que distingue esses espécimes do resto da fauna humana?
Depois de pensar bastante a respeito eu cheguei a conclusão que a característica básica de um chato é não ter vergonha, não ter vergonha de ser chato. Pense bem, um chato não tem autocrítica, eles sempre se destacam por isso. Apenas um chato poderia dizer que nunca erra, pois qualquer pessoa normal pensaria no ridículo dessa frase, é estatisticamente impossivel que alguém esteja sempre certo, um não-chato sempre pensaria nisso e teria vergonha de proferir tal barbaridade. Já o chato não tem vergonha, não percebe a impossibilidade de uma afirmação do tipo.
Você costuma pensar no que os outros podem sentir se você fizer ou disser alguma coisa, certo? Um chato não pensa assim, se ele acha alguma coisa por que deixaria de dizê-la? Se ele quer algo, por que não simplesmente fazê-lo? Que importam os outros? Os chatos contam com a vergonha dos outros, a maioria das pessoas teria pudores em mandar alguém embora de sua casa em uma festa, por exemplo. E o chato se aproveita disso para falar e fazer as maiores barbaridades. Eles não têm a percepção, ou pior não se importam, com as convenções sociais de relacionamento entre pessoas, de questionar suas próprias palavras e ações.
Apenas um chato tem a sem-vergonhice e a falta de noção de virar para uma semi-estranha no elevador e soltar a pérola: "Nossa! Como você engordou!" E ele ainda conta com a sua educação e espanto para não mandá-lo a merda.
Os chatos são sempre aqueles que se destacam, sem a vergonha para impedí-los eles se manifestam plenamente e livremente em toda sua capacidade para a chatice. É só olhar para o caso do trote nas faculdades, 90% dos veteranos não acham o trote legal, mas são sempre os 10% de chatos que aparecem, que tem saco pra no meio das férias ir encher o saco dos outros, pra perder tempo perturbando os bixos, eles não tem vergonha de fazer aqueles absurdos com as outras pessoas. E os não-chatos estão ocupados demais vivendo pra fazer alguma coisa a respeito, ou pra se interessar tanto pelo que está acontecendo.
Veja os políticos, são todos chatos, por que se não fossem não entrariam na política, quem tem tempo e saco para toda aquela masturbação mental e picuinhas que são características da vida politica que não um chato de galochas? Imagine fazer aqueles discursos intermináveis, e sem sentido, todas aquelas promessas que você sabe que não vai poder cumprir com a cara mais lavada do mundo, da vergonha só de pensar. E aqueles que não fazem isso não sobrevivem ao proceso político, não são eleitos, ou tem coisa melhor pra fazer da vida.
Não da pra ter vergonha e ser um Lindemberg Farias da vida, um exemplo do chatíssimo movimento estudantil. Perceba que sua vida está sendo guiada pelos chatos que não tem vergonha de aparecer e gritar histericamente. Só pra ter uma idéia, nos EUA algo como 80% da população é contra o porte de armas, mas não tem saco de brigar, quem aparece, briga e consegue o que quer são os grupos de poucos chatos que tem tempo e saco de fazer protesto, são as chamadas minorias barulhentas, e é a vontade delas que acaba prevalecendo na maior parte das vezes.
E o que se pode fazer a respeito? Apenas um chato consegue enfrentar outro chato, por isso eu digo: faça o mundo um lugar melhor e perca a vergonha se ser chato com aquele que é chato com você, devolva na mesma moeda chata, seja chato com um chato, liberte-se.
(Ô, texto chato...)
*estatisticas da minha cabeça, antes que algum chato venha reclamar.
Phtirus pubis (chato) aqui.
Arranhado por Cheshire às 04:25
Miados:
Mil facetas de uma mulher
Às vezes acordo te amando e desisto de tudo ao meio-dia. Nada mais em mim é perene. Amo-me sempre, ou nunca. Desejo sempre o indesejável, concebo o inconcebível e sonho com o impossível.
Um dia acordo sorrindo e, noutro, nublada. Deixo-me levar como chuva fria, rolando pelo corpo corajoso. Sinto-me lágrima contida, mas também fúria cerebral. No meio da tarde fico vazia,
busco-me no meio das sombras. Elis mulher adormece, Elis menina acontece.
Carente deixo-me estar e castigo as mãos ansiosas. Escorrego por dedos de crentes, concordo discordando, sem nem saber por que. À noitinha sou alguém de novo, e faço festa para a vida. Balanço o rabinho feito cão em festa. E despejo sorrisos no mundo. Onze horas anoiteço, taciturna e pensativa. Filósofa inconformada, quero lutar contra o vento. Congelo por dentro. Viro iceberg, gemo sozinha.
Onde estará eu mesma? De madrugada me reencontro. Sempre estive aqui, embora também estivesse lá.
Não sei onde é o "lá". Se soubesse teria fugido, sem medo de nada, só do meu eu perdido.
Texto de Elis Monteiro em Clube da Lulu
Arranhado por Cheshire às 02:19
Miados:
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Quinta-feira, Janeiro 22, 2004
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Outra noticia: tenho um e-mail agora, quem quizer pode escrever para cheshire@terra.com.br, inclusive com sugestões, idéias, bobagens, enfim, o que der na telha.
Pessoas de Antônio Melo em 1000 Images
"A fucking rainy day in this hellish town!"
Arranhado por Cheshire às 03:19
Miados:
Joguinho monstrinho, mas divertido... Cada coisa que a gente acha na internet...
Clique aqui para jogar baseball com pinguins.
Clique no homem da neves para se preparar e o pinguim irá pular, clique novamente para rebater e veja quanto o pinguim voa, quanto mais longe melhor..
Não acredito em quanto tempo eu fiquei fazendo isso hoje, como diria um amigo meu: "GET A LIFE!"
Arranhado por Cheshire às 03:09
Miados:
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Terça-feira, Janeiro 20, 2004
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Despertar
Ele abriu os olhos. Fitava o teto, o mesmo teto de sempre, branco, ordinário, comum... Nem ao menos uma rachadura, mesmo que fossse pequena. Tudo liso e perfeito.
Se ao menos houvesse uma rachadura, eu poderia dizer-lhe "bom dia, como vai minha velha? Onde você vai hj? Viu algo interessante do outro lado?". Eu gostaria mesmo de ter uma rachadura, uma daquelas enormes, de casas decrépitas, e caindo aos pedaços, uma mancha de umidade também seria bom, mas só uma rachadura era suficiente. Uma que seguisse até o canto da porta, ou da janela, que fugisse do quarto... Afinal as rachaduras sempre encontram os cantos e as saidas, por que será?
Sentiu seu corpo, experimentou os membros, dobrou as juntas, acordando a pele. Passou a mão pelo abdómem e pela cabeça, sentiu sua realidade.
Nem antenas ou patas articuladas, nada, tudo como ontem a noite, não virei barata... Seria bom acordar como naquele livro, uma barata, um inseto desprezível e rastejante. Poderia me esconder nas frestas e nos cantos escuros, poderia fugir da luz do dia. Eu não precisaria acordar e ir cumprir as minhas abrigações, poderia apenas rastejar e viver de restos, sem grandes espectativas...
Queria ver a cara deles quando viessem me procurar e nada encontrassem, quanto tempo demorariam para me esquecer? Para doar minhas coisas? Barata eu não poderia nem escrever uma lista de últimos desejos, "deixo isso para fulano, minha coleção de CD´s para Beto, meus livros para a biblioteca pública..." Será que eles iriam todos acabar em algum sebo por ai? E aos poucos seriam separados, indo para novas mãos, novos olhos? Minha vida espalhada por ai...
Queria ser barata, me sinto uma barata...
Um grito ecoa em seus ouvidos: "Filho, acorda, levanta e vem tomar café, que você já está atrasado pra aula!"
Eu queria ser uma barata, me sinto barata, sou uma barata...
Continua...
Arranhado por Cheshire às 03:52
Miados:
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Segunda-feira, Janeiro 19, 2004
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Texto ótimo de um grande amigo.
Gente, que diferente!
10 para meia noite. O infeliz sem nada para fazer vai alugar um filminho para ver com a namorada. Lembra da BlockBuster, que ainda está aberta.
Entra, escolhe o título de forma muito rápida. Nem pensa muito. Mas o tempo se esgota. Metade das luzes se apagam. Pensa instintivamente: "será que deu problema?". Em seguida vem a voz: "gostaríamos de informar nossos clientes que dentro de 5 minutos encerraremos nossas atividades, obrigado".
Isso já aconteceu comigo várias e várias vezes. Nunca fiquei mais do que até 0:00 para ver o que aconteceria. Chamariam a polícia na sequência? Os bombeiros? Leão de Chácara? Tenho medo de esperar.
Em cartório, banco, correio, fila de exame médico de clube, em qualquer lugar a norma é a seguinte: fecha-se a porta no horário X. Quem estiver dentro do estabelecimento neste horário é atendido e pronto. Após o horário X ninguém mais entra. Não é preciso avisar quem já está dentro que o estabelecimento está sendo fechado. Deve-se avisar os de fora que não se pode mais entrar.
De que adianta toda vez que se entra na BlockBuster ser recebido por um "boa noite" que é nada mais do que um condicionamento que se relaciona à musiquinha da porta, seguindo os moldes de Skinner? Não adianta nada pois 5 minutos depois você é praticamente arremessado pela janela de vidro.
Talvez nada aconteca. Talvez eles realmente atendam todo mundo que estiver na locadora. O problema aí não é esse. O problema é a falta de respeito.
E o curioso é que sempre que eu resolvo alugar filme é 23:50, e eu continuo alugando na BlockBuster, mesmo com a voz do microfone me apressando. E naquela noite eu sonho com a voz dizendo: "GENTE QUE DIFERENTE!". Bah! Como eu sou burro!
Flávio Atas
Arranhado por Cheshire às 00:56
Miados:
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Domingo, Janeiro 18, 2004
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Esse é um texto antigo que eu coloquei como comentário no blog da Mônica, mas acabei gostando tanto que resolvi colocar aqui também, e agora, aproveitando da preguiça, me pareceu um bom momento pra ele aparecer novamente (metida, não?).
Quando eu comecei a escrever um blog fiquei pensando que eu tinha duas opções: escrever tudo aquilo que eu queria e não contar para ninguém que tinha um blog. Ou contar para as pessoas e ter de me controlar com o que, e como, eu escrevo. Como obviamente não consegui guardar segredo, tenho que tomar muito cuidado com o que escrevo, tem coisas que não é pra todo mundo que te conhece saber mesmo.
Mas eu descobri que essa limitação tem um lado interessante, ela me obriga a cuidar melhor dos textos, eles ganham em qualidade literária (eu acredito, pelo menos) Perdem a qualidade de retratarem apenas um evento específico da minha vida, pra adiquirirem um caráter de reflexão mais ampla.
Não dá pra sair por ai dando nome endereço e telefone dos amigos, tem que ter cuidado pra não me expor e também não expor as pessoas de quem eu gosto. Mas certamente é uma linha muito tênue entre ser cuidadoso e perder a capacidade de expressar-se.
Os blogeiros acabam sendo equilibristas de emoções, na corda bamba com bolas no ar.
Arranhado por Cheshire às 03:27
Miados:
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Sexta-feira, Janeiro 16, 2004
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Momento Macunaíma: Ai, que preguiiiça!
Arranhado por Cheshire às 04:23
Miados:
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Terça-feira, Janeiro 13, 2004
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Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Álvaro de Campos
Eu estava lendo o Jesus, me Chicoteia! , quando me deparei com esse texto. Fiquei absolutamente encantada com a simplicidade e a beleza dessa pequena declaração de amor, com a sua singela sinceridade.
Ao mesmo tempo ela me faz lembrar de um dos meus grandes desejos, e já que está na época de decisões, balanços e esperanças, que todos fizeram as sua listas para 2004, eu resolvi falar do meu. Eu queria ser musa.
Nunca fui musa de alguém, não inspirei contos, poesias, pinturas ou músicas. Uma vez acreditei ter feito brotar uma música, mas era mentira. Mas essa é um história para um outro momento... Nunca tive uma poesia sequer dedicada a minha pessoa. Eu não sou o tipo de mulher que inspira paixões avassaladoras, do tipo que se escreve a respeito. Sou real, concreta e humana demais para isso...
Mesmo que diversas pessoas tenham me dito que eu tenho os olhos da Capitu, não os de cigana dissimulada, mas os de ressaca, que puxam, não sou como ela. Gostar de mim é mais tranquilo, mais discreto, mais calmo.
Eu tive um relacionamento que entre idas e vindas, encontros e desencontros, brigas e namoro durou seis anos. E mesmo assim, durante esse tempo todo, ele me escreveu apenas um cartão e um pequeno bilhete grampeado em um bom-bom Ouro Branco. Esse último só faltou ser um Sonho de Valsa para ser o presente mais perfeito possível. Eu ainda lembro quando o Sonho de Valsa era um bom-bom muito caro, e a propaganda que dizia que cada Sonho de Valsa era uma declaração de amor...
Apesar da enormidade das coisas que vivemos juntos, demorei muito a superar a sensação horrível que eu tinha por ele não ter escrito algo para mim, como ele fez para a garota que foi a paixão antes de mim, para qual ele escreveu um conto, lindo por sinal. Eu morria de ciúmes, e achava que os sentimentos dele por mim, nunca chegariam aos pés do que ele sentiu por ela, por que eu não inspirara nele a vontade de marcar, mostrar, deixar para o tempo, uma oficialização do amor e da história complicada que vivemos.
Hoje eu sei que nunca seria mesmo, pois ela estava numa esfera na qual eu não podia competir: na imaginação. Ele era idealizada, perfeita, pois existia no desejo dele. Já eu, era apenas uma pobre mortal, que ele convivia e acordava junto com remela nos olhos e o cabelo desafiando as leis da física. Ele conhecia meus defeitos, minhas manias irritantes, que nunca chegou a experimentar nela. Hoje eu sei que marquei a vida dele, que fui e ainda sou muito importante pra ele, assim como ele é pra mim. Ainda somos bons amigos, na verdade sempre fomos melhores amigos do que namorados...
Então o que eu quero mesmo de 2004 é finalmente ser musa, inspirar, deixar algo de mim para o tempo, para o concreto. Quero ser cantada em verso, prosa ou pintura. Quero me apaixonar perdidamente, quero me perder nos olhos de alguém, me entregar completamente, quero sentir frio na barriga. Como disse Ticcia no Não Discuto:
"Tenho já o meu pedido feito para o ano novo. Quero muitos frios na barriga. É, isso mesmo: frios na barriga. Quero frio na barriga de apreensão por ainda não saber se um plano deu certo, frio na barriga por não saber se ele vai ligar. Frio na barriga porque ele ligou e vamos nos encontrar logo. Frio na barriga por começar um trabalho novo e dasafiador. Frio na barriga porque aprontei um trabalho e quero ver se vão gostar. Frio na barriga ao desembarcar numa cidade de que gosto. Frio na barriga pela expectativa diante das realizações dos meus amigos. Frio na barriga diante de duas opções. Frio na barriga ao olhar dentro dos olhos de alguém. Frio na barriga pelas responsabilidades que hão de vir. Frio na barrriga por ouvir que alguém que eu amo me ama também. Isso. Muitos frios na barriga. O melhor combustível do mundo."
Que todos tenham muitos frios na barriga...
Arranhado por Cheshire às 01:17
Miados:
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Segunda-feira, Janeiro 12, 2004
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Ainda Sobre Blogs
Esse é um post em resposta aos comentários no texto de 10/01/2004 no Fósforo Verde. Mais um da série Meninos x Meninas.
Como se não bastasse ser excluida de um monte de coisas por ser levemente estranha, ainda pelos conceitos de alguns sou excluída de ser nerd, apenas por ser mulher. Existem pessoas que acreditam que mulheres não podem ser nerds, apenas porque em geral elas tem uma maior facilidade para se relacionar com o sexo oposto.
Queridos, dêem uma olhada nos posts aí em baixo que vocês vão perceber que a vida não tá fácil pra ninguém, não. Como eu disse, ser inabilidoso socialmente, nos relacionamentos não é exclusividade masculina nesse mundo. Ser uma mulher meio nerdinha pode ser um inferno nesse mundo, mesmo para alguém como eu que se veste muuuito bem.
Eu não tenho o menor problema com os caras quererem fazer um clube só com garotos, a gente também tem o nosso, sem problemas. Se eu quizesse tanto assim fazer parte de um blog masculino, faria como um amigo meu, über geek (ele tem uns oito ventiladores no micro dele, inclusive já fez experimentos, com resultados desastrosos, com um watter cooler, essa eu conto num outro dia. E volta e meio encontro ele recompilando o kernell...) sugeriu: usaria um nick masculino e pronto.
Além disso uma mulher, ou pelo menos muitas delas, iam querer dar aquele "toque feminino" na coisa, tipo florzinhas no template, o que ia estragar tudo... Mas proibir as mulheres de desfrutarem das dores e das delicías de ser nerd já é sacanagem. E acontece muito por ai. Acho que aceitar aqueles que não se enquadram nos outros lugares é uma característica básica da nerdice, e se nem ai as mulheres podem entrar complica muito a vida, impossibilita muitas coisas.
As nerdices femininas podem até ser mais discretas, estarem mais disfarçadas por ai, mas isso não significa que elas não existam, que não existam mulheres que gostam de Star Trek e RPG, que mexam com programação e computadores, que joguem Quake ou CS, ou pior Tibia. Que queiram aprender HTML, ou gostem de explodir e construir coisas. Que leiam até ficarem vesgas, que passam horas na internet. Que tem problemas com Star Wars pela falta de personagens femininas que sejam realmente interessantes. Que de vez em quando experimentem lag no mouse...
É que a gente discute que são as pontes de sulfeto, e não as de hidrogênio, que se rompem quando a gente faz escova no cabelo, e que é por isso que ele fica liso. E pra quem se interessa pelo assunto vale dar uma olhada nesse texto: "Why nerds are unpopular".
Arranhado por Cheshire às 02:26
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Sobre Blogs
Os links para os blogs Dedos Nervosos de Breno Pessoa e Arte Erótika de Diva Artisan foram retirados ai do lado. O primeiro por ter chegado ao seu fim e o segundo por ter deixado de existir, se por alguma artimanha do blogger não sei.
Mas estou atualizando com novos links, Primeiro o já comentado e divertidíssimo Ménage à Trois, onde "três amigos contam e comentam suas histórias de encontros e desencontros."
Depois o blog de nerdices, e clubinho de meninos Fósforo Verde. Mas como não podia deixar de ser, também entram o Clube da Lulu, que "é uma revista de mulheres que gostam de escrever." E o Elas por Elas, onde "inspiradas na série Sex and the city e confortavelmente instaladas no anonimato, duas jornalistas transformam as suas próprias histórias e as das amigas em diversão, reflexão, humor e, sobretudo, crítica."
E ainda temos o Brainstorm #9, blog voltado um tantinho para a publicidade. Se alguém tiver alguma idéia, crítica ou sugestão, por favor não se acanhe.
Arranhado por Cheshire às 01:48
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Domingo, Janeiro 11, 2004
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Pequeno Diário de Guerra II
Esse ano de 2004 começou com os carros se vingando de mim, não que eu tenha feito algo para eles, mas só pode ser vingança...
Tudo começou voltando da praia, o carro do meu amigo ferveu o motor. Além de ficar umas quatro horas e meia esperando o guincho e depois o taxi, ainda ficamos dois dias em Curitiba esperando o carro ficar pronto, nem foi possivel aproveitar pra conhecer a cidade. A gente parecia soldado de prontidão, sempre esperando notícias e sempre achando que logo ia ficar pronto, sem poder fazer nada. Eu já estava falando pro meu amigo que a gente ia alugar o corpinho dele pra algum caminhoneiro, só pra conseguir sair de lá. Para vocês entenderem o estado da coisa, ele já estava quase achando um boa idéia, desde que a gente levasse ele junto, é claro...
Com tudo resolvido, fianalmente saimos de Curitiba, e caimos na estrada. Mas as coisas nunca poderiam ser tão simples assim, e o motor do carro voltou a esquentar. Paramos num posto-restaurante perdido no meio do nada, na beira da BR 116, no meio da serra de Juquitiba. Parte absolutamente bizarra da viagem, parecia um lugar saido diretamente de um filme de terror B, melhor, D. Era escuro, sem iluminação, com uma parte meio abandoada e destruida. O lugar era habitdo por umas criaturas esquisitas, nenhum dos nossos celulares pegava e pior não havia telefone. Estavamos ilhados no meio do nada sem modo de nos comunicarmos com a civilização.
Já estavamos tirando no palitinho pra ver de quem seria o corpinho vendido, mas chegamos a conclusão que o dinheiro arrecadado não seria suficiente (a qualidade do material deixava a desejar...) e decidimos esperar o motor esfriar, e ai continuar, tentando chegar em algum lugar habitado. O carro, e o motorista nesse momento colaboraram e a temperatura ficou estável a ponto de conseguirmos voltar.
Depois, chegando em São Paulo eu ainda tinha que pegar meu carro que estava emprestado com a minha irmã e dirigir até em casa, mais um trinta quilometros. Peguei meu carro e resolvi matar as saudades e encontrar outros amigos em um bar. Obviamente minha irmã tinha me devolvido o carro absolutamente imundo, acho que ela participou de algum rali, e sem gasolina alguma. Passei no posto, enchi o tanque, calibrei os pneus, e fui para o bar.
Quando peguei o carro novamente, ele estava estranho, completamente instável nas curvas da estrada. Pensei com os meu botões que não podia ser o pneu, afinal eu tinha acabado de calibrar, já estava no processo de xingar minha irmã por ter jogado meu carro em algum maldito buraco e desalinhado completamente, ela tem antecedentes de fazer isso. Cheguei em casa e descobri que o pneu estava no chão, mas fui dormir sem nem tirar as malas do carro.
No dia seguinte troquei o pneu e sai, parei meu carro na rua, no lugar de sempre, só para na volta descobrir a porta entortada e o vidro quebrado. Devia ter curso para os ladrões pelo menos ficarem mais competentes. Precisava forçar a fechadura, entortar a porta e quebrar o vidro para abrir um carro que não tinha nada dentro? Nem rádio eu tenho mais por que já roubaram antes, e eu faço questão de deixar os fios todos pra fora pra mostrar.
No dia seguinte toca correr atrás de funileiro pra arrumar e poder usar o carro. Como não podia deixar de ser era um dia chuvoso, só pra completar. Acho que eu devo ter cara de idiota, porque o mecânico não parava de insistir que tinha que trocar a porta, que o vidro custava mais de cem reais e que ia demorar o fim de semana inteiro pra consertar. Depois de muito rodar consegui achar um cara que cobrou a metade do preço pelo vidro, mais vinte reais de mão de obra para desentortar a porta, fez tudo na hora e ainda resolveu uns outros probleminhas que já tinha antes. É foda, basta ser mulher para os caras quererem te enrolar no mecânico.
Agora já esta tudo resolvido (famosas últimas palavras), mas espero que eu já tenha atingido a minha cota de problemas de carro por esse ano...
Arranhado por Cheshire às 04:31
Miados:
Posso contar um segredo? Shhh, fala baixo, que é pra ninguém ouvir... A verdade é que eu não tenho a menor idéia do que eu estou fazendo...
Eu me enquadro totalmente no que o Alexandre do Liberal, Libertário e Libertino diz, que as mulheres não sabem o que querem.
Apesar de não ser a mais típica das mulheres; a maior parte dos meus amigos são homens, não entendo as mulheres, já desisti faz tempo de entender. Às vezes eu ainda caio na besteira de tentar entender os homens, e é óbvio que nunca dá certo; ainda faço todas as besteiras tipicamente femininas. Mas o pior de tudo é que eu mesma não consigo entender o que eu quero, e como quero.
Tudo bem que eu acho que a maioria das pessoas, inclusive os homens, andam tão confusos, ou até mais do que eu. Perdidos entre desejos, obrigações, pedidos, exigências. Perdidos entre o ideal e o real, entre o imaginário e o possivel.
Eu vivo mudando de idéia, e odeio quando me cobram decisões definitivas, especialmente por que eu sei que nem sempre vou ser capaz de cumprí-las. Fico sempre sendo incoerente, eu vivo tendo uns ataques de cinco minutos que me estragam a vida...
Tem dias que eu me sinto uma mulher madura, decidida e independente. Mas aí aparece um carinha e eu piro, fico parecendo uma garotinha de doze anos. Só que pior ainda, fazendo besteiras de uma mulher de vinte e seis. Eu não sei brincar desse jogo de sedução e relacionamentos.
Nem adianta vir falar que não joga, todo mundo joga, tem que jogar se não não tem graça, não tem cuidado, não tem sedução. Jogar não é mentir e enganar, é saber onde se pisa. Não é que eu não jogue, é que eu não sei fazer direito. Eu só faço bobagem, sou orgulhosa demais quando não devia, aberta e dada na pior hora possível. Erro a dose, a hora, a pessoa.
Eu queria ser seduzida, conquistada. Mas não dou tempo pra isso, gosto fácil demais, rápido demais, e pelos motivos errados (não, eu não sei quais seriam os corretos, só sei que os meus não são). Eu morro de medo de me machucar, e só me machuco mais ainda.
Acho que o que eu precisava era de um cara que tivesse a paciência de me ensinar a seduzí-lo, que me mostrasse, me dissesse claramente o que eu estou fazendo de errado, e o que estou fazendo certo. Sinceramente. Mas não sei se eu ia aguentar ouvir também... Eu acho que não sei ler os sinais, mas eu sei sim, às vezes eu sei o que tenho que fazer, mas faço o oposto, ou não. Ai! que confusão!
Queria me bastar, suprir a minha própria carência, não ter esse buraco enorme de falta no meu peito. Mas eu sou ridícula, perdida e assustada. Morro de medo do ridículo, mas sempre retorno a ele de uma maneira ou de outra. Sou boba, orgulhosa, inteligente e apaixonada.
Não tenho a menor idéia do que eu estou fazendo, não sei o que quero... Mas não conta pra ninguém não, tá?
Arranhado por Cheshire às 03:22
Miados:
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Quarta-feira, Janeiro 07, 2004
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Voltei...
Em Descanso de Paulo Bizarro em 1000 Images
Arranhado por Cheshire às 19:46
Miados:
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Domingo, Janeiro 04, 2004
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Pequeno Diário de Guerra
Escrevendo de um computador de hotel em Curitiba. Voltando da praia o carro quebrou e tivemos que vir pra cá. Mas pelo menos o seguro paga a hospedagem em um hotel cinco estrelas, estou aproveitando pra conhecer o mundo dos ricos e famosos, me sinto até como se estivesse na Ilha de Caras...
Bom depois de levar quase doze horas pra chegar de perto de Garopaba até aqui, trânsito e horas esperando resolver as coisas em um posto perdido no meio do nada, eu bem que mereço mesmo.
Amanhã vou aproveitar pra conhecer a cidade, nunca tinha vindo antes e pelo pouco que eu vi parece realmente muito legal, não tem lixo jogado nas ruas, e isso faz uma baita diferença...
Bom, se o destino deixar, um dia eu volto, não sei exatamente quando, mas eu volto... Acho...
Arranhado por Cheshire às 23:26
Miados:
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