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Quarta-feira, Junho 23, 2004
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Gatos
"Os gatos são indivíduos perfeitos, com suas próprias idéias sobre todas as coisas, incluindo as pessoas de quem são donos."
John Digman
"Os gatos consentem que os amemos, pelo que devemos nos sentir agradecidos."
Anne Taylor Brown
"Os gatos parecem seguir o princípio de que não há nenhum mal em reinvindicar o que a gente quer."
Joseph Wood Krutch
Um gato ronrona mansinho e esconde as garras, oferece sua companhia e calor, e até divide a cama dele com você. Mas não o trate mal, nunca desrespeite ou machuque um gato, pois você poderá perder mais do que a sua companhia. Ele estará ao seu lado, mas nunca será seu servo.
Arranhado por Cheshire às 04:05
Miados:
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Quarta-feira, Junho 16, 2004
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Este é um texto que um querido amigo meu escreveu para uma garota como presente de dia dos namorados. Achei que merecia ser colocado por aqui.
"quase.
é o seguinte (ou quase):
algumas pessoas tem ex-namorados, algumas pessoas tem vários ex-namorados, mas Paula, você é a primeira a ter um quase-namorado.
percebi que o quase tem muito a ver com nós dois. O dia dos namorados estava chegando e achei que você iria gostar de ganhar um presente, mas já sabia o que você ia dizer: "-Guilherme, você não é meu namorado!" -mas eu fui quase!
aí que saquei o papel do quase... pensei comigo, vou escrever alguma coisa pra ela, afinal, namorados dão presentes: flores, declarações de amor, bichinhos de pelúcia, jóias. Eu vou dar uma crônica (por sinal, esta aqui)... é quase a mesma coisa.
vê se eu não tenho razão? 1) a gente quase se apaixonou perdidamente; 2) a gente quase que não consegue desgrudar; 3) você quase foi a mulher da minha vida; 4) eu quase te fiz a mulher mais feliz do mundo; 5) eu quase larguei tudo pra ir atrás de você; 6) você quase ficou com vontade de me ver antes de ir embora; fico imaginando quantos quases não se passaram na sua cabeça... na minha foram incontáveis. tem muito quase pra ser coincidência.
então me intitulei como seu quase-namorado... pode me chamar de "meu quase" quando você conversar com suas amigas, como você faz com os seus "ex"... falando neles, pode ficar tranqüila (ou quase) que eles não tem ciúmes de mim, somos categorias separadas: eles foram namorados de verdade, eu fui quase! os seus "ex" provavelmente tem ciúmes uns dos outros, mas eu não tenho nada a ver com isso. agora, aí de você em arrumar um outro quase!!! eu não ia suportar. fico até imaginando como deve ser difícil ser seu atual namorado (ou o namorado que você arranjar, quando estes ingleses deixarem de ser trouxas) tendo que lidar com ex e com quase ao mesmo tempo... ahh, esse vai ter que ter ciúme de quase tudo que se mexer. imagina se tiver também um outro na história? ihh, baguncei tudo, já tô até mundando o assunto...
olha, sei que isso não é um presente... é quase. Mas gostaria que você ficasse ao menos quase tão contente quanto alguém que recebe um presente de verdade nesse dia. alias, meu intuito aqui era de te dizer que nem tudo entre nós foi quase, mas eu não sou um escritor de primeira, sabe? sou quase...
Eu penso com carinho em você quase sempre, e tenho muitas saudades, viu.
que a sorte te acompanhe sempre,
de alguém para quem você é quase tudo.
seu quase-namorado,
Gui"
Arranhado por Cheshire às 03:20
Miados:
Voltei do Rio, e ainda estou viva, mas nem tive tempo de ver todos meus e-mails ainda então depois eu conto as coisas com mais calma. Só antecipando, a viagem foi ótima, ver o por-do-sol do alto do Pão de Açucar é maravilhoso, e não precisei do colete à prova de balas, embora um capacete pra andar de ônibus teria sido uma ótima idéia...
Arranhado por Cheshire às 03:19
Miados:
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Quinta-feira, Junho 10, 2004
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Em algumas horas estarei entrando em um ônibus com destino ao Rio de Janeiro. Vai ser minha primeira visita à Cidade Maravilhosa. Confesso que estou morrendo de medo, com um baita frio na barriga, e torcendo pros traficantes estarem descansando no feriado e não terem nenhuma idéia estranha.
Incrível como uma novidade tem a capacidade de me deixar sentindo com se fosse uma velhinha provinciana com medo de tudo. Demorei horas para conseguir arrumar a mala: Levo roupa de frio? mas e se estiver quente? Está frio por lá também. Mas é o Rio, lá é bem mais quente que aqui... Devo por um biquini na mala? Ai meu Deus! não vai caber tudo... Cadê aquele casaco roxo de gola alta? Meus sapatos! É tão penoso abandoná-los...
Fico nesse diálolo interno sem fim... Melhor não levar minha correntinha, brincos e anéis só depois, na rodoviária não rola. Tirar dinheiro, ok. Calcinhas e meias, ok. Escova de dente, ok... espera! ainda vou usar, não pode fechar na mala ainda... Onde eu enfiei meu maldito pote pequeno do hidratante? Ah, vai o grande mesmo... Não, pesado de mais. Calma! Não precisa levar a farmácia inteira na mala, eles tem disso no Rio também, sabia?
Já combinei de me buscarem na rodoviária, logo no desembarque pra não correr o rico de me perder. Já combinei de avisar todo mundo quando chegar. Todos os telefones estão devidamente anotados, o hotel reservado e confirmado... Ufa! Maldito frio na barriga...
Vai ser neurótica assim na Piiiiiiiiiiiiiiiiii!
Arranhado por Cheshire às 03:49
Miados:
Apenas uma cena
Ela esticou as pernas e observou os próprios pés, olhou-os com espanto, como se os estivesse vendo pela primeira vez "como são estranhos!" pensou. Olhar os próprios pés pela primeira vez, reparar em cada pequeno detalhe, na forma, nas marcas, as veias, aquela cicatriz no peito do pé, que ela não tinha a menor idéia de como foi parar lá, os dedos... Deteve-se nos dedos: "Quantos dedos! com formatos estranhos, unhas, unha... que palavra horrível, quem será que inventou esse nome: unha, coisa mais estranha..."
Resolveu experimenta-los, esticar, dobrar, mexer, girar, enrolar os dedinhos. Experimentava seus pés como se fosse a primeira vez, testava as sensações, e quantas elas podiam ser. Ela sentia os movimentos, os músculos, os tendões os ossos, testava seus limites, suas capacidades. Deixou-se ficar ali, absorta com seus pensamentos e com seus pés.
Olhou o mar, as ondas produziam aquele barulho tão característico, ventava pouco e o mar estava calmo. Calmo e azul, como só pode ficar nesses finais de tarde quentes de verão. A luminosidade do dia já começava a diminuir, e os tons de dourado refletiam na água, o céu ia mudando de cor. Ele era parte de tudo isso mas se entretinha com seus pés.
Experimentou o toque da areia de leve, e então enterrou os pés na areia morna, sentiu o calor, as muitas partes que compõe a areia em seus pés. Brincava de cobri-los e descobri-los, escondiam-se na areia e depois ressurgiam, rompendo a casca como um animal que nascia, eles tinham vida própria, podiam ser tartarugas brotando do ninho para correr em direção ao mar...
O céu escurecia cada vez mais, cada vez mais o mundo se tornava azul, perdia suas cores. Sumiam o vermelho, o amarelo, o laranja e até o rosa. Seus olhos procuraram ao longe e viram algumas luzes se ascendendo, parecendo flutuar no mar... "Será que alguém do lado de lá também olha pra mim e se pergunta isso? Será que nossos olhares se cruzam na distância e se perdem? Como será ter aquela vida? Ser a outra pessoa? Olhar para mim do lado de lá? Será que ela sente o mesmo que eu?" Pensamentos voavam longe, atravessando o mar até alcançar aqueles pequenos pontos luminosos. E os pés tornavam a renascer.
A noite escureceu, o vento mudara de direção, a espuma das ondas agora era branca e brilhante, quase fosforescente. Ela finalmente levantou, bateu a areia das roupas, recolheu os pés de volta a sua insignificância e voltou pelo mesmo caminho que tinha vindo, deixando o mar, as luzes e os pensamentos para trás.
Arranhado por Cheshire às 05:28
Miados:
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