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Segunda-feira, Outubro 25, 2004

Um Texto Triste...

Um texto triste porque existem momentos de tristeza. Por que as vezes sou triste. Já fui muito mais do que hoje, já durou muito tempo, já sarou. Mas tem dias que a gente é triste, tem dias que é dificil, tem barras que nem sempre a gente consegue aguentar. Barras invisiveis, quase imperceptiveis. Problemas não palpáveis, questões não explícitas.

É cada revertério que o mundo nem sabe, nem vê, nem entende, cada bobagem, detalhe que consegue derrubar muita coisa. Eu respiro fundo e tento chacoalhar a sensação pra longe, espantar a tristeza, conter o choro, mesmo que niguém esteja por perto para vê-lo.

Algumas coisas são assim, pegam justo naquele ponto fraco, cutucam justo o que não deviam, e me derrubam por alguns momentos, em alguns dias... É aquele pedacinho que não consegui resolver, não consegui fazer cicatrizar, e que sei que não vai ser agora, ou assim fácil. É aquele pdacinho que eu tento ignorar, deixar quietinho, por que sei que agora não adianta mexer. É aquela falta básica que não vai sarar assim, só porque eu quero, do dia pra noite, que o mundo teima em vir cutucar, mexer, perturbar, que a vida e as pessoas teimam em não me deixar esquecer, não me permitem ignorar, mesmo que eu precise ignorar pois o resto do mundo, da vida, estão ali e eu preciso continuar brigando.

Não tem como fugir da tristeza por que ela é minha, ela sou eu que faço.

Mas agora eu quero me esconder, quero chorar até dormir, sentir vontade de desaparecer, quero sentir pena de mim mesma. Mas não vou fazer isso. Vou brigar e espernear até ficar exausta, por que eu sei que quando eu acordar nada vai ser diferente...

Arranhado por Cheshire às 19:34
Miados:


Summer '68 - Pink Floyd

Would you like to something before you leave?
Perhaps you'd care to state exactly how you feel.
We say goodbye before we've said hello.
I hardly even like you.
I shouldn't care at all.
We met just six hours ago.
The music was too loud.
From your bed I came today and lost a bloody year.
And I would like to know, how do you feel?
How do you feel?
Not a single word was said.
They lied still without fears.
Occasionally you showed a smile, but what was the need?
I felt the cold far too soon in a wind of ninetyfive.
My friends are lying in the sun, I wish I was there.
Tomorrow brings another town, another girl like you.
Have you time before you leave to greet another man
Just to let me know, how do you feel?
How do you feel?
Goodbye to you.
Childish bangles too.
I've had enough for one day.

Arranhado por Cheshire às 19:23
Miados:

Segunda-feira, Outubro 11, 2004

Hoje esse pequeno blog completa um ano de existência. Faz um ano que eu comecei a passear por um caminho sem saber onde queria chegar, na verdade ainda não sei, e se não importa onde chegamos, qualquer caminho é válido, é plausível, pois como diz o Gato, se você andar bastante, certamente vai chegar em algum lugar...

Então vamos nós, vocês continuam passeando comigo por esse lugares estranhos da terra da maravilhas, sem destino certo, e muitos loucos pelo caminho até cansarem, ou até eu cansar e resolver fazer outra coisa...

Parabéns para nós!


Starry Night de Vincent Van Gogh

Arranhado por Cheshire às 21:00
Miados:

Sexta-feira, Outubro 08, 2004

Grande parte das pessoas que aparecem por qui tem vindo do blog do meu querido amigo Ligeirinho, o que eles procuram? Bem, eles procuram fotos de mulher pelada.

E porque isso? Por que o Ligeirinho, ao me fazer um elogio, numa gentileza, nomeou o link para o meu blog como "O Sorriso da Gata", pra quem me conhece (metiiida...) e conhece o blog, isso faz todo sentido, mas como o Blog do Ligeirinho é um blog de MP3 e mulher pelada... Já viu, né?

Então se é para a felicidade geral da nação, aqui temos mulher pelada:


Water de Gustav Klint

Arranhado por Cheshire às 00:54
Miados:


Vote nas eleições americanas aqui.

Arranhado por Cheshire às 00:24
Miados:

Segunda-feira, Outubro 04, 2004

Persephone

- Eu existo. Não sei como, não sei porque, sei apenas que existo. Simples assim. Um dia simplesmente passei a existir, a ser. Essa ilha é meu lar, é meu lugar, o único que conheço.

Eles vêm. Eles sempre vêm. Não importa que eu me esconda, que eu cubra minha ilha com brumas, que me proteja com rochedos, com recifes de coral. Não importa que eu crie tempestades, que o mar se revolte, eles sempre acham o seu caminho até mim.

Eles sempre vêm. Eles chegam cansados, machucados, sofridos. Encontram no meu colo repouso, cuidado. Eles se aninham no meu peito, protegidos, e eu cuido de suas feridas. Eles descansam em meus braços, seguros, e eu cuido do seu cansaço. Eles me contam suas histórias, suas aventuras e desventuras, eu as escuto, experimentando cada pedaço delas, bebendo em cada palavra, é como se eu pudesse viver um pouco dos outros mares, dos outros lugares, é como se por alguns momentos eu pudesse deixar a ilha para trás. Quase posso ver outros lugares, sentir seus cheiros, experimentar sabores tão exóticos.

Eles se vão. Eles sempre se vão, uns demoram mais a partir do que outros, mas eles sempre partem de volta ao mar que os trouxe até aqui. À medida que as feridas melhoram, que seu corpo descansa e se recupera, eles se tornam cada vez mais distantes, mais saudosos de suas aventuras, de seus lares. Eu vejo seus olhos se voltarem cada vez mais e mais para o horizonte, eu temo o dia de sua partida. Eu tento adiá-lo. Já tentei fazer com que alguns ficassem, pedi, implorei, mas mesmo assim eu via em seus olhos voltados para o mar a saudade. Eles precisam partir, é inevitável.

Já desejei partir, ir com eles, subir em seus barcos e abandonar esse meu pequeno mundo. Queria ganhar o mar, a vida, seguir com eles. Mas não posso, existo apenas nesse aqui, nesse agora, nessa prisão.

Eles se vão. Sem ao menos olhar para trás. E quando mais se afastam mais a memória de mim se parece com um sonho, mais tênue, fraca ela se torna, até não mais existir. Eu sei que é assim que deve ser, não fui feita para as memórias, não fui feita para permanecer. Mas eu não esqueço. Guardo a lembrança de todos que já pisaram nessas areias. Cada partida é uma perda, cada um deles carrega algo meu consigo. MAs eles nunca saberão a diferença que fiz, nunca perceberão o pedaço que me tiraram e que levam consigo pelos mares afora.

Sou feita de buracos, mas pelo menos algo de mim é capaz de deixar esse exílio. Cada partida é um novo remendo, uma nova falta. Será que algum dia não sobrarão pedaços para serem levados, e assim como passei a existir eu simplesmente desapareceria? Eu me desfaria no ar, como a bruma quando o vento sopra? Será que assim eu poderia finalmente descansar?

Enquanto isso, eu olho o horizonte, a espera de que um novo navio chegue buscando um porto seguro, precisando de descanso e cuidados por que eles vêm. Eles sempre vêm, não sei porque não sei como, mas é para isso que eu apenas existo.

Arranhado por Cheshire às 04:19
Miados: