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Segunda-feira, Janeiro 31, 2005
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Há muitos, mais de dez anos atrás eu vi um filme, um filme daqueles chamados de arte, alternativos, cabeça, chamado "Antes da Chuva". Não diria que mudou minha vida, ou meu modo de ver o mundo, apenas guardou em mim uma sensação muito boa, algo a que me refiro volta e meia. Numa tarde qualquer de verão, entrei assim, meio a esmo, sozinha em uma sala de cinema, do atual Espaço Unibanco de Cinema, templo dos descolados dessa nossa querida cidade caótica. Na época acho que ainda era do extinto Banco Nacional, mas já era o lugar para se ver filmes alternativos ao grande circuito.
É um filme macedônio com co-produção francesa, o que mais me ficou impregnado do filme foi a sensação de tensão, de ar abafado, quente, que antecede as grandes chuvas de verão, aquelas de fim de tarde, aquelas de gotas grandes e pesadas que marcam o chão de terra, pequenos pingos perfeitamente redondos que a terra bebe, toda marcada, para depois ser inundada e então secar ao sol forte do dia seguinte.
Naquela tarde não foi diferente. Sai do cinema, andando pela abafada poluição da ataferada Avenida Paulista, observava as pessoas apressadas, correndo pra fugir da chuva que logo chegaria enquanto andava procurando o alívio do temporal. Estava sozinha, não participava dos acontecimentos da vida, era apenas uma observadora, um ser alheio à confusão, aos barulhos, à pressa do cenário à sua volta.
Foram poucas as vezes que me senti tão apenas e simplesmente comigo mesma, e tão apenas e simplesmente completa. Apenas ser, apenas estar, apenas existir, em mim.
Um homem tocava flauta no salão do Conjunto Nacional, era um som tão lindo, tão mágico, tão estranho à correira, que enchia o salão e ecoava em cada canto. Depois esse mesmo homem sempre ficava, e ainda fica, ás vezes, tocando por ali, mas para mim era a primeira vez. Ele tocava sozinho e o mundo a sua volta deixava se existir, o tempo corria mais lento. Nossos olhares não se cruzaram, estávamos os dois sós em nossos mundos repletos, completos. Segui meu caminho, atravessando a porta ainda procurando a chuva.
Arranhado por Cheshire às 01:06
Miados:
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Quarta-feira, Janeiro 19, 2005
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Estou indo viajar, indo ver as franjas do mar, como andam dizendo por ai. Vou recarregar as baterias e quem sabe melhorar esse meu bronzeado de monitor. Volto logo.
Arranhado por Cheshire às 05:10
Miados:
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Quarta-feira, Janeiro 12, 2005
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Yeah, yeah, yeah, the cow is back!
Ué? Não era gato? Bem, era... mas é que.. bom... Não quero falar sobre isso agora...
Sim crianças, voltei! Depois de um longo período de desintoxicação, permeado por severas crises de abstinência, estou de volta. Será que alguém ainda aparece por aqui? É hora do censo, quem teve a santa paciência de aparecer por aqui, mesmo com os meses de abandono, manifeste-se nos comentários ou cale-se para sempre. Ou até o próximo post, sei lá.
Andei escrevendo tanto, sobre todos os assuntos e temas possíves, dos mais banais aos mais técnicos, dos mais próximos aos mais herméticos, que usei todas as palavras que conhecia, e devo admitir, algumas que eu não conhecia também, que não sobraram palavras para o blog. Andei tão cansada que até as coisas que costumavam ser um prazer, como sair com os amigos, ler blogs, escrever, responder e-mails, tomaram ares de obrigação. Andei tão cansada que só a idéia de chegar em casa e ligar o micro me fazia ter crises de choro. Cheguei até a ter pensamentos de por que a gente se suja tão rápido, por que banho dura apenas um dia, diante da necessidade de acordar uma hora mais cedo para lavar o cabelo.
Li todas as coisas que não queria, fiz mais contas do que gostaria, escrevi mais frases nas quais eu não acreditava do que podia, dormi menos do que devia. Foram trabalhos, congressos, provas, brigas com a burocracia, cartas, petições, discussões intermináveis, madrugadas a base de coca-cola e cigarro, dentista, crises de sinusite, apresentações, seminários, festas, testes, aulas, computadores pifando, impressoras surtando, reforma, brigas de família, um prêmio, carro quebrado, problemas financeiros, divórcio, amigos carentes e amigos distantes, política, presentes... E os dias continuam tendo apenas 24 horas.
Ainda não tenho idéia de quando terei férias de verdade, sem nada pendurado a ser feito. De agora até o final de fevereiro ainda tenho que achar um carro e uma casa nova, escrever um trabalho enorme, um projeto de pesquisa a ser entregue e uma pesquisa a ser feita, um capítulo de livro para escrever e mais brigas burocráticas. Depois as pessoas ainda não acreditam quando eu falo que não quero um namorado...
Arranhado por Cheshire às 02:50
Miados:
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