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Segunda-feira, Março 21, 2005
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Ela olhou para o ouro lado da sala, o professor falava algo que naquele momento não importava. Ela observava aquele menino magrelo e desajeitado, não conseguia se lembrar quando ou como tinham se conhecido, quando é que ela tinha reparado nele. Teria sido no primeiro dia de aula? Teria sido naquela festa? Não sabia.
Ele também parecia não prestar muita atenção na aula, olhava para o teto com um ar sonolento, tipicamente matutino, a boca entreaberta lhe dava um ar levemente aparvalhado, mas ela não se importava. Ela estava orgulhosa, sorria para si mesma, ele era o mais bonito, o mais inteligente o mais confiável, e era seu. Não, ele não era dela. Como é possível sentir tanto orgulho por alguém que nem é seu? Como é possível sentir tanta certeza de que alguém é seu, mesmo sem ter seu telefone?
Ela achava bom encontra-lo todos os dias, adorava e admirava aquele jeito tímido, e desajeitado que ele lia um texto na frente da classe, com os cabelos precisando de um corte caindo sobre os olhos, a camiseta branca um pouco puída, a calça jeans grande demais apertada com um cinto pra não cair, a pochete jogada meio de lado, o sorriso de canto de boca, ela se orgulhava e se estranhava desse orgulho cada vez mais.
Eles conversavam sentados em um sofá velho e mal cheiroso por horas, ele contava de seu amor, de sua paixão, de suas mágoas, ela falava dos dela. Riam. Ela estava encantada por aqueles olhos castanhos esverdeados, pelo jeito desajeitado dele. Sentiu uma vontade quase irresistível de deitar-se no ombro dele, mas não entendeu como, afinal ela gostava de outro, e isso não era questionável. Não sentia ciúmes, ele era seu. Essa era uma certeza estranha de ter, mas ela não a tinha, sentia, apenas sabia que era seu, sempre.
Ela sorriu para ele naquela festa em que foi para a cama com outro, aquele que era seu, mas não parecia, e ele, que não era dela, foi embora mais cedo. Não gostava muito de festas.
Como o amor acontece? Como acontece isso de se gostar de alguém, de apaixonar-se sem perceber? Que mistério é esse que faz alguém se destacar dos outros, sem razão aparente ou lógica? Como se ama alguém sem querer?
Sentada atrás dele ela observava sua nuca, continha a vontade de toca-la, ele não gostava muito que encostassem nele, não era muito de tocar as pessoas. Mas ele tocou em sua perna naquele dia em que a convidou pra sair, aquele frio na barriga, ela era dele também, sempre.
Arranhado por Cheshire às 19:06
Miados:
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