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Segunda-feira, Dezembro 05, 2005

Queijo Suiço

-É um queijo suiço. É isso: um queijo suiço...
-Como assim? Do que você está falando?
-Oras, é um queijo suiço, assim, cheio de buracos, tem mais buraco do que queijo...
-Tá, e se for? E daí?
-Tem um monte de pedaço faltando, um monte de buracos...
-Ah, eu gosto de queijo suiço... É gostoso.
-Mas você gosta dos buracos?
-Eles, sinceramente, não me incomodam..
-Você não ia preferir se não tivesse buracos, que fosse todo queijo?
-Ah, mas ai não seria queijo suiço...
-Não dá pra conversar com você, você não entende nada mesmo...
-E se aparecer mais um ou outro buraco a gente nem nota a diferença...

Arranhado por Cheshire às 02:17
Miados:


Respondendo a Georgia:

Morar sozinha tem suas vantagens e desvantages, como tudo na vida (ô lugar comum...). Mas é mais que bom, é necessário. Agora, sobre ser mulherzinha ou não, dependente ou não, isso tem mais a ver com quem você é do que com morar sozinha. Se você é mulherzinha não é morar sozinha que vai fazer isso mudar, quem sempre depende de alguém sempre vai dar um jeito de arrumar alguém de quem depender, é só chamar o pai, o namorado, o amigo, até o zelador... Quem sabe precisar de alguém, sempre que quizer, consegue alguém para isso.

Arranhado por Cheshire às 02:16
Miados:

Sábado, Dezembro 03, 2005

Resistência

Acordo. Nem abro os olhos, o maldito despertador está tocando, estridente como sempre, como deve e precisa ser. "Só mais dez minutos" penso comigo, afinal, são apenas dez minutos... Não, não posso. Abra os olhos, desligue o barulho perturbador, isso, vamos lá.

Procuro os cigarros e o isqueiro ao lado da cama, fico deitada na cama de barriga pra cima, no lusco-fusco da manhã, olhando a fumaça que sobe em direção ao teto. Tento apagar a sensação de um sonho estranho do quel nem bem me lembro. A brasa do cigarro brilha na semi escuridão de um quarto que ainda me é estranho. Morar sozinha é estranho, a casa está silenciosa, minha mãe não virá logo me chamar trazendo um xícara de café quente, não posso pedir-lhe para dormir mais dez minutos. Dez minutos tão pouco e tanto tempo.

O cigarro está no fim, já quase na bituca como sempre. Levanto. Nem o chão frio sob meus pés me faz acordar direito. Me arrasto até o banheiro, no espelho o cabelo parece saido diretamente de algum filme dos anos 80, as olheiras fundas denunciam noites seguidas de pouco sono. A cara tem rugas que não estavam ai quando fui deitar, pelo menos acho que não, cada dia acho uma nova marca no meu rosto. Foi só eu sair de casa que as rugas se manifestaram.

Abro a torneira e o chuveiro não faz aquele seu característico e reconfortante som, nada de som de água quente, nada de água quente. A resistência queimou. Já nem sei mais se a minha ou a do chuveiro. Pelada, descabelada, exausta no banheiro gelado olho a água fria correndo, o silêncio do chuveiro me desafia. Meu chuveiro. Minha resistência queimada.

Quero sentar no chão e chorar, me desesperar como uma mulherzinha, quero ser mulherzinha. Mas não, eu sou forte, lembra? Eu aguento. Afinal que opção eu tenho?

Já estou atrasada, em pouco tempo o maldito baterista do andar de cima vai começar a tocar, como faz, religiosamente, todos os dias. Me visto. Saio sem tomar café, nem banho. Na hora do almoço eu como alguma coisa rápida, passo numa loja, compro uma resistência nova, será que eles têm pra gente também? Volto, troco a porcaria e quem sabe tomo um banho antes de voltar para o trabalho.

Vida de mulher independente é assim: trocar de resistência, mesmo sem ter as ferramentas certas, mesmo que pra você isso pareça dificil, mesmo que demore, mesmo que você leve um banho de água fria no processo. É desligar a chave geral por que os dijuntores não estão marcados. É se virar para fazer as coisas sozinha, até por que você não tem de quem depender.

Se quebrou, conserta. Se não funciona: troca.

Arranhado por Cheshire às 03:10
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